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Faltou poção mágica para dar liga a filmes de Asterix

Adaptações contam com elenco milionário e talentoso, mas excesso de efeitos especiais apagou humor original

Luiz Zanin Oricchio, de O Estado de S. Paulo,

07 de novembro de 2009 | 16h30

Asterix no cinema pode ser dividido em duas partes: os desenhos animados, que contam com os traços da história em quadrinhos originais, e os filmes em que os personagens são interpretados por atores de carne e osso (disponíveis em DVD). No caso, muito mais carne do que osso, já que quem se notabilizou pelo personagem Obelix foi Gérard Depardieu, um dos grandes senão o maior dos atores franceses contemporâneos, mas cuja silhueta há muito nada tem de discreta.

 

Nos filmes, Depardieu fez dupla com Christian Clavier no papel de Asterix, depois substituído por Clovis Cornillac. Foram curiosas as reações a essas três adaptações das histórias de Goscinny e Uderzo para o cinema. A curiosidade era geral, não apenas entre os fãs das histórias em quadrinhos mas entre todos os cinéfilos, muito por conta de Depardieu. Esperava-se - como de fato sucedeu - que o seu personagem, Obelix, botaria no bolso o astuto Asterix, que dá nome à série porém não parece tão carismático quanto seu amigo gordo, glutão e que não precisa da poção mágica para ser poderoso porque caiu no caldeirão quando criança.

 

Acontece que, por um desses maliciosos mistérios do cinema, o encanto do desenho chega desfocado às telas. Não se pode culpar Depardieu, que afinal é ator de recursos, inclusive para a comédia, no entanto não consegue ser engraçado com roteiros fracos. E nem ele conseguiu escapar ao peso dessas superproduções muito carregadas, inclusive do ponto de vista financeiro, e que acabam se privando da sutileza do original.

 

A primeira delas, Asterix e Obelix Contra César, tinha não apenas Clavier e Depardieu nos papéis principais como o cômico italiano Roberto Benigni como o imperador romano. Na época, 1999, a produção foi vista como afirmação do modelo francês contra a hegemonia do produto cinematográfico norte-americano, que ameaçava cinematografias de todos os países, e da própria França, protegida pelo Estado.

 

O sucesso do filme tornou-se questão de honra e críticos que fizeram restrições foram tachados de impatrióticos. Apesar da boa bilheteria local, não repetiu o sucesso no exterior nem deixou saudades. O que houve? Os produtores decidiram enfrentar os americanos no terreno destes e sobrecarregaram o filme de efeitos especiais. Não funcionou, e perdeu-se o humor original. Faltou a boa e velha poção mágica gaulesa para dar liga ao conjunto. O mesmo problema se repetiu nos filmes seguintes.

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