Falta fogo para o deus do trovão

Asgard, a morada dos deuses, virou uma perversão arquitetônica de Dubai - se é que isso é possível. De Deus inderrotável, Thor (por seu physique du rôle de caminhoneiro) é "rebaixado" a uma vida classe média baixa no Novo México, vida de cerveja em pub e sinuca. Há uma ponte entre mundos que acende o chão conforme os guerreiros passam, ideia que Michael Jackson universalizara bem antes.

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2011 | 00h00

O toque de ironia e escracho de Thor o torna um filme de super-herói menos pomposo, e o auxílio luxuoso de atores de verdade (Anthony Hopkins, Rene Russo e Natalie Portman), fazendo "escada" para o estreante simpático, Chris Hemsworth (Thor), torna esse filme uma matinê até agradável.

Como em Wolverine, com Hugh Jackman, é um filme de forte apelo feminino, ou gay, com exibição insistente dos bíceps de Hemsworth, mas falha na hora da combustão - o único beijo entre herói e mocinha parece beijo do Tarcísio Meira na Glória Menezes nos novelões atuais.

Kenneth Branagh, o diretor, quis acentuar o caráter de tragédia sanguínea da história do semideus Thor, um genérico nórdico que cai em desgraça com o pai (Odin) e é obrigado a viver num mundo frágil, a Terra, munido "apenas" de sua força descomunal e um martelo encantado, Mjölnir. Thor pena com as traições do próprio irmão Loki (Tom Hiddleston). Apesar do apelo, digamos, shakespearianos, o filme tem um roteiro previsível - sabemos de antemão tudo que vai acontecer. Isso, num filme baseado no universo dos super-heróis, onde o impossível acontece, é um pecado mortal. Se bem que, na Asgard de Branagh, o pecado estético inexiste.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.