'FALTA EMPREENDEDORISMO'

A ausência de curadoria é um dos traços que define o Fringe. Ao mesmo tempo, isso favorece uma concentração de espetáculos sem qualidade. Como apoiar o Fringe sem alterar o seu espírito de livre iniciativa?

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

25 de março de 2013 | 02h11

A questão do Fringe está inserida em um processo mais amplo. A cultura dos editais tirou um pouco do empreendedorismo dos produtores brasileiros.

Mas você sente que isso já foi diferente dentro do Festival?

Quando eu comecei, os espetáculos faziam temporada de terça a domingo e viviam da bilheteria. Isso mudou. Hoje, a fonte de receita é o patrocínio. Dito isso, existe uma certa acomodação em vir para Curitiba. Antes, as pessoas vinham atrás da chance de aparecer para algum programador, de fazer uma boa bilheteria. Hoje, não precisam mais disso.

E você acredita que essa ausência de espírito empreendedor atinge o Fringe?

Sim. Por exemplo, aqui ao redor da sede do Festival há uma série de cartazes anunciando alguns espetáculos e, em vários deles, não se fala onde os ingressos estão à venda. É sintomático. Tem gente que não faz nem uma filipeta para distribuir para o público.

Mas para pagar o Festival você também utiliza 80% do orçamento de recursos incentivados. Não é uma contradição?

É o modelo. Posso não concordar com as regras, mas tenho que viver com elas. Não tenho como fazer se não for assim. Não quero polemizar. Mas eu vivo com 80% porque as leis também deixaram todos os aspectos da produção mais caros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.