Denise Collins/Divulgação
Denise Collins/Divulgação

Falo o tempo todo com ela, diz pai de Amy Winehouse

Mitch Winehouse diz que renda do livro vai ser direcionada para ajudar jovens com problemas de drogas e álcool

Jotabê Medeiros - O Estado de S. Paulo,

28 Julho 2012 | 16h17

Em Amy, Minha Filha, Mitch Winehouse conta muita coisa sabida, mas há coisas interessantes a serem garimpadas. Por exemplo: Mitch conta que a turnê pelo Brasil quase não saiu. Amy não queria vir antes de ter coisas novas para cantar - as músicas de Back to Black a deprimiam. Mitch falou ao Estado com exclusividade, por telefone, de Londres.

O sr. não tem medo de ser comparado a Joe Jackson, o pai de Michael Jackson, e dizerem que o sr. está tirando vantagem do legado de sua filha?

Não estou tirando vantagem de nada, a renda da venda do livro vai toda para ajudar jovens em estado de atenção por conta de abuso de drogas e álcool. São milhares na Inglaterra. No Brasil, todo o dinheiro da renda do livro vai reverter para ações sociais, toda minha comissão.

O sr. escreveu que o show no Brasil foi um sucesso, especialmente o de Florianópolis. Mas os shows de Rio e São Paulo foram decepcionantes.

Não sabia disso. A banda toda me disse que tinha sido um sucesso. Amy se divertiu muito, voltou falando que o Brasil é um lugar adorável, estava muito feliz. Por que teria sido um fracasso?

Bom, em Florianópolis de fato foi o melhor, mas no Rio e em São Paulo foi muito encurtado.

Por que foi encurtada?

Acho que Amy ordenou.

Bom, eu não estava sabendo disso. Não estive com ela no Brasil, apenas tenho os relatos do que aconteceu.

O sr. acha que foi o álcool que matou Amy?

Depende. Ela tinha parado com as drogas em 2008. Depois, foi uma luta para parar com o álcool, que era tão destrutivo quanto. Nos últimos cinco meses, ela não tinha bebido nada. Então, nos dois dias anteriores à sua morte, ela bebeu muito. Ela tentou parar, mas é um processo.

O sr. diz que uma borboleta negra entrou no funeral, e depois um melro pousou em sua janela, e ficou, e deixou que o acariciassem. O sr. parece crer que Amy vive em outro plano. Tem esperança ainda de falar com ela?

Falo com ela o tempo todo em minha cabeça. É a minha crença. Muita gente acredita, é essa a crença da minha família. Acredito que ela vive em outro plano e está em paz.

O seu relato é cândido, equilibrado, mas há momentos em que o sr. até se tornou violento. O sr. expulsou o ex-marido Blake Fielder-Civil da casa de Amy com um chute no traseiro.

Mas aquilo é algo que eu tinha de fazer. É o que um pai faz pela sua filha, você tenta protegê-los. Às vezes tem sucesso nisso, às vezes fracassa. Mas está sempre tentando, é o que um pai faz.

O sr. se sente culpado por ter falhado em algum momento?

Por que culpado? Você tem filhos? Qual a idade deles?

Sim, tenho. Em torno de 20 anos.

Os filhos às vezes te ouvem, às vezes não. É o que acontecia com Amy. O álcool causou um grande estrago na vida dela. Mas ela nunca deixou que a família se tornasse irrelevante. Ela era generosa e doce. A coisa mais importante era a alma de Amy, que ela preservou até nos piores momentos.

O sr. pensa em negociar esse livro para adaptações para o teatro ou o cinema?

Nós estamos em negociação. Há ofertas de filmes, de peças. Mas, no momento, nós temos o livro. Temos de trabalhar o livro, levantar todo o dinheiro possível para ajudar jovens em dificuldades. Essa é a prioridade.

O sr. também gravou um disco como cantor.

Sim, há três anos. Faço duas outras apresentações toda semana com minha banda. Adoraria ir ao Brasil, mas seria ridiculamente caro, não é viável. Tenho um amigo brasileiro, músico, que poderia integrar meu grupo numa excursão, e se achássemos uma banda brasileira com a qual eu pudesse tocar isso seria plausível. Mas com meu próprio grupo, sairia caro demais.

O sr. usou ghost writer?

Escrevi com um amigo, eu dava os depoimentos e ele gravava e transcrevia, porque não sou um bom escritor. Não sei se escreverei outros livros, quem sabe? Nunca se diz nunca na vida.

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