Fábrica vira novo teatro no centro de SP

Quem passa diante do galpão situadono número 1.623 da Rua da Consolação não imagina o que aquele portão dearmazém esconde. Lá dentro, um grupo de teatro trabalha duro hámeses. Não, eles não estão ensaiando uma tragédia de Shakespeareou de Nelson Rodrigues - até porque peças desses dois autores jáfazem parte do currículo da companhia fundada em 1983 porRoberto Rosa, Luiz Casado e Sérgio Audi. Com a ajuda de "ummutirão de artistas amigos", eles se empenham em transformar umvelho galpão abandonado, que encontraram cheio de entulho esucata, num muito bem equipado espaço. Graças ao esforço e competência desse mutirão deartistas, ao patrocínio das construtoras Bancoop e TS, e aoapoio de 21 empresas, os atores da Cia. Fábrica de Teatroinauguram hoje o Fábrica São Paulo, com areestréia do espetáculo A Falecida, de Nelson Rodrigues. A direçãoé do inglês Robert McCrea. No elenco, está o trio de fundadoresda companhia e a atriz Raquel Tamoio. É Rosa quem recebe a reportagem do Estado nogalpão de 1.250 metros quadrados, ainda em obras, que no passadoabrigara a pioneira indústria de rádios Invictus, fabricante doprimeiro televisor do País, em 1951. A dimensão do espaço é aprimeira surpresa. Quem vê a fachada, não supõe a existência deuma área interna tão generosa. Logo no hall de entrada, umacuriosidade. Ao lado da bilheteria, uma parede de vidro separa osaguão dos camarins, o que permitirá ao espectador, enquantoaguarda o início do espetáculo, ver o elenco se preparando paraentrar em cena. "É uma forma de desmistificar o trabalho doator", observa Rosa. "Mas vamos instalar uma persiana, que podeser fechada no caso de uma companhia convidada não gostar daidéia ou ainda queira controlar o momento de sua abertura." Na sala de espetáculos, chama atenção a boa disposiçãodo espaço - a visão de palco é excelente de qualquer ponto daplatéia. Se bem que, nessa visita, sete dias antes dainauguração, era possível circular mas não sentar em todos ospontos da platéia. As cadeiras estavam sendo confeccionadas porum grupo de atrizes, um trabalho artesanal. Espalhadas peloteatro, estavam 4 quilômetros das fitas com que são fabricadosos cintos de segurança, apoio da Geotex. Trançadas numa bonitatrama em torno da armação de aço da arquibancada, aos poucos iamse transformando em cadeiras confortáveis e seguras. "Aqui nãobasta ter a idéia, é preciso correr atrás do material e, uma vezconseguido, trabalhar com ele", observa Rosa. Foi assim que o grupo conseguiu o equivalente a cerca deR$ 100 mil em doações. Apoios fundamentais como da GE (lâmpadas) Incepa (louças sanitárias), Baxmann (acessórios para sanitáriosde deficientes físicos), Eucatex (tintas), entre outros. Só deaço e alumínio foram sete toneladas conseguidas com o GrupoVotorantim. "Por enquanto, temos essa arquibancada com 140lugares. Mas, no futuro, serão três platéias móveis, de formaque o palco possa ganhar diferentes formas." E graças ao apoio de outras tantas empresas, o espaço possui osmais modernos equipamentos de combate a incêndios. No TeatroFábrica, tragédia só as teatrais, como a que inaugura a casa, AFalecida, encenada com fortes doses de humor negro pelo grupocuja linguagem eles definem como teatro físico.

Agencia Estado,

12 de fevereiro de 2004 | 10h40

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