Fábrica de Cultura discute estrutura cultural em seminário

O primeiro projeto assinado pela Fábrica de Cultura, braço da Funarte criado para suprir a carência de agentes culturais, ocorreu em maio deste ano e enfocou a relação entre a cultura e suas diferentes forças sociais ? a mídia por exemplo. Três meses se passaram desde então, e a instituição inicia nesta segunda-feira o seminário Vínculos da Cultura, que tem como foco de discussão os órgãos executores federais. Durante cinco dias, gestores culturais, estudantes e profissionais se reúnem na sede da Fábrica, em São Paulo, para entender o funcionamento da Funarte, da Fundação Biblioteca Nacional, da Casa Rui Barbosa, da Fundação Cultural Palmares, e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O seminário ocorre em dois planos. Pela manhã, os participantes assistem à exposição de diretores dos órgãos federais. Na parte da tarde, percorrem os equipamentos culturais de São Paulo. Serão seis diferentes roteiros. As opções de visita vão do Centro Cultural Banco do Brasil ao Terreiro da Mãe Silvia, Ong localizada no bairro do Jabaquara. ?Em cada roteiro a pessoa percorre dois a três lugares por dia. Assim, no fim da semana, terá conhecido pelo menos dez espaços culturais de São Paulo e conhecido pelo menos dez importantes diretores?, exorta José Peixoto da Silveira, diretor da Fábrica de Cultura. Segundo ele, a maioria dos inscritos são de fora de São Paulo. ?Temos gente do Rio Grande do Sul até Roraima?, comemora. ?Isso revela que as informações estão de fato concentradas nos grandes centros ou presas nos gabinetes e que existe necessidade de circulá-las?. Um dos fatores que impediu a participação de maior número de pessoas foi o auto valor do curso, R$ 460. ?Mas algumas pessoas receberam descontos de até 50%?, defende o diretor. Fábrica - A Fábrica foi criada no início deste ano por meio de um acordo entre o MinC e a iniciativa privada com o objetivo manifesto de ampliar o debate acerca do funcionamento das instituições e leis que regulamentam a cultura no País. ?Pretendemos descentralizar o conhecimento nesse setor?, afirma Silveira. ?Queremos democratizar a informação sobre programas e projetos. Para isso, visamos oferecer aos trabalhadores da área o caminho das pedras.?A idéia de criar a Fábrica partiu da constatação de que não havia um centro que pudesse estabelecer parâmetros no setor cultural, tanto na gestão pública quanto na privada. ?O projeto vem ao encontro da necessidade de muitos secretários de cultura do Brasil inteiro, bem como dos administradores culturais, porque não é fácil entender o funcionamento das leis e dos órgãos?, assume Silveira. Segundo ele, o orçamento de implantação da Fábrica é de R$ 2,4 milhões, valor ainda não obtido totalmente. ?Esse montante está previsto para ser captado junto à iniciativa privada e, a cada ação, despertamos novos parceiros?. Ao fechar o quadro de colaboradores, Silveira diz que poderá reduzir significativamente o valor das inscrições. Democracia - Ampliar o conhecimento técnico dos agentes culturais é auxiliar o desenvolvimento da democracia brasileira. Esse pensamento norteia o trabalho do diretor. ?Conhecedoras do seu papel, as pessoas passam a ser mais conscientes do que pode ser feito e passam a cobrar mais?, analisa. O fim desse processo, acredita, é uma melhor aparelhagem do setor, geralmente o primeiro a sofrer com cortes de investimento no País. Devido à emergência dessas questões, a Fábrica já organiza para novembro um novo seminário. Provisoriamente intitulado Município em Movimento, o evento vai reunir os gestores das entidades locais para discutir as leis de incentivo à cultura e os meios de elas serem aplicadas.Os Vínculos da Cultura - De 24 a 28 de setembro, das 9h às 18h30; Informações pelo telefone: (11) 3662 5177; site oficial: www.fabricadacultura.com.br.

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