Aline Arruda/Divulgação
Aline Arruda/Divulgação

Fabíula nascimento

Versátil, ela começou no teatro em Curitiba, ganhou fama como Íria, a prostituta de estômago; foi enfermeira em Força-Tarefa e hoje faz humor em Junto e Misturado

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2010 | 00h00

Impossível não notar a formiga tatuada no seu braço.

Tenho várias tatoos. Sou "formiga" porque adoro doces. Mas há outro motivo: eu tinha uma amiga, parceira de todas as horas e trabalhos. Trabalhávamos feito formigas. E resolvemos tatuar o símbolo do trabalho.

Por falar em trabalho, desde a prostituta Íria de Estômago (2008), você não parou mais, tem diversificado papéis no cinema e TV, como a enfermeira do policial Força-Tarefa, e agora faz humor em Junto e Misturado.

Isso é fruto de muito trabalho e de sorte. É raro não ficar rotulada. Há um tempo dei uma entrevista em que a jornalista começou assim: "Você fez uma prostituta em Estômago. E agora faz sua segunda em Bruna Surfistinha, de Marcus Baldini..." Falou num tom como se fosse uma "especialização". E respondi: "Não tenho medo de ficar tachada de prostituta," Desde os tempos de teatro em Curitiba, vou do drama à comédia com muita alegria e acho que o ator tem mais é que experimentar.

Já em Amor?, filme de João Jardim sobre amores violentos, você mistura documentário com ficção. Como foi viver este papel?

Dificílimo. Beth é uma lésbica que existe, mas até que ponto tudo que falo para a câmera, como se fosse ela, é verdade? Para mim, Amor? é ficção. Afinal, a gente, está sempre contando a história de alguém.

Você buscou inspiração em suas histórias de amor?

Sim e não. Quando criava a Beth, tentava imaginar como seria a Fabíula naquelas situações. Mas nunca vivi relações destrutivas. Toda vez que vi que minhas relações iam para um lugar não interessante, pulei fora. Fuga? Talvez. Mas nunca ultrapassei meus limites. Lendo o depoimento dela entendi que relações assim são "normais". Há questões de posse, ciúme, permissividade e amor, que se transformam em doença até.

Você é ciumenta?

Hoje, aos 32 anos, não. Aos 20 era muito. Meu marido é músico, imagine. Muitas vezes já morri de ciúme ao vê-lo no palco, cercado de mulheres. Para criar a Beth, pensei em por que tantas vezes morri de ciúme e nunca fiz nada? Não é da minha natureza a violência? Sou muito fria? O que me fazia observar isso friamente? Amor? é um filme sobre questões como essas.

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