Fábio Assunção estreia na direção teatral em SP

Fábio Assunção é um ator inquieto. Sucesso na televisão como Jorge, personagem da divertida série "Tapas & Beijos", ele busca novos desafios no palco. Foi o que o impulsionou a apostar em "Oeste", texto claustrofóbico, árido, de Sam Shepard, ou mesmo no intrigante "Adultérios", de Woody Allen. Agora, como uma nova etapa, Assunção decidiu estrear como diretor teatral. Mais: escolheu o um raro texto escrito para o palco pelo grande escritor americano Cormac McCarthy. O resultado é "O Expresso do Pôr do Sol", que estreia nesta quinta-feira para convidados, no Tucarena - sexta-feira é a data para o público.

AE, Agência Estado

29 de agosto de 2012 | 10h42

Ele não atua, preferindo o papel de encenador e produtor. "Fiquei fascinado por esse texto que mostra dois homens entre 40 e 50 anos, um suicida e um religioso, que travam um embate sobre o que pensam da vida", conta. "Utilizo não apenas a prosa poderosa de McCarthy, mas também o espaço para mostrar os momentos da consciência."

"O Expresso do Pôr do Sol" é a tradução para "Sunset Limited", peça que, de tão palavrosa, foi definida pelo próprio autor como "um romance em forma de diálogos". Encenada pela primeira vez em 2006, em Chicago, a montagem narra a história de dois homens que, fechados em um apartamento no subúrbio, e com um passado completamente diferente, se veem envolvidos num intenso debate sobre o valor das suas existências.

Na trama, o ex-presidiário evangélico Black (Guilherme Sant?Anna) salva o professor ateu White (Cacá Amaral), que pretendia se jogar na frente de um comboio da linha Sunset Limited, nome de um trem de passageiros que viaja pelo trecho New Orleans - Los Angeles, cruzando diversos Estados dos EUA. A peça começa quando os dois estão no apartamento de Black - que se recusa a deixar White sair -, onde discutirão sobre religião, vida e morte.

O texto se sobressai, especialmente por contrariar a tradição ao deixar que o diálogo conduza a história e não a ação. Assim, a linguagem rica compensa a falta de incidentes. Apontada como um "poema em celebração da morte" pelo jornal "The New York Times", a peça recebeu um luxuoso tratamento em sua versão brasileira: Fábio Assunção convidou a dramaturga Maria Adelaide Amaral para fazer a tradução. "Pedi a ela que não seguisse a linha realista, pois eu pretendia realizar uma montagem mais existencialista."

Para isso, o original sofreu uma redução, o que implicou uma diminuição na duração - se montado integralmente, o texto resultaria em uma peça de duas horas e meia; agora, terá 80 minutos. "Claro que os diálogos mais afiados foram preservados, pois dão substância à trama", observa Assunção, que confessa não ter nenhuma influência no ato de dirigir. "Na verdade, o trabalho nasceu a partir do compartilhamento de ideias entre toda a equipe". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O EXPRESSO DO PÔR DO SOL

Tucarena (Rua Monte Alegre, 1.024). Tel. (011) 3670-8455. 6ª e sáb.,

21 h; dom., 19h30. R$ 40/ R$ 50. Até 30/11.

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