Fabiana Cozza apresenta músicas do novo disco em SP

É seu terceiro disco, mas poderia soar como o primeiro. Afinal, o título do álbum com o nome do artista ou da banda costuma ser a regra para aqueles em início de carreira. Fabiana Cozza, o disco homônimo lançado recentemente, é minimalista, mas está longe de ser um (re)começo. É a reafirmação de alguém que comemora 15 anos de carreira, sempre independente.

AE, Agência Estado

06 de janeiro de 2012 | 10h27

O rosto da intérprete paulistana também é estampado na capa. "Eu queria que esse trabalho fosse algo sem segredos e mistérios", conceitua Fabiana Cozza. Tudo neste novo trabalho inspira algo pessoal. Foi uma gestação longa, de quatro anos, que separam este do segundo disco, "Quando o Céu Clarear", de 2007. E agora, como uma mãe, ela percorrerá esse repertório do novo filho no Sesc Bom Retiro, hoje, amanhã e domingo.

Como conta a cantora de 35 anos, tudo foi feito num sentimento ambíguo, numa linha tênue entre a calma e a urgência. Fabiana viveu entre a dúvida de pagar suas contas ou pagar o disco. Como uma artista independente, ela sofre de todos os prós e contras de não ter uma gravadora. "Sempre pude ser dona do meu próprio nariz." Isso a fez trilhar o caminho que bem entendesse. "Tenho uma contabilidade muito certinha. Coisas do meu pai (Oswaldo dos Santos, de 67 anos), que trabalhou com o mercado fonográfico. Ele sempre me disse para ficar muito atenta com tudo isso."

Mas a inevitável queda da vendagem dos CDs também afetou os independentes. Desta vez, Fabiana não encontrou parceiros para ajudá-la a bancar o disco, mesmo ele sendo aprovado pela Lei Rouanet. "Me enchi", diz ela, rindo. O financiamento veio do dinheiro dos shows, que passaram a ser mais e mais necessários com toda a crise do mercado fonográfico.

Em contrapartida, Fabiana recebia já uma certa cobrança para que lançasse logo um novo trabalho. Uma renovação necessária, para abrir um novo capítulo na carreira. "Levando em conta o tempo que as outras pessoas levam para lançar um disco, eu estava atrasada."

Um tributo a Edith Piaf ao lado da Orquestra Jazz Sinfônica, em 2009, foi também responsável por uma transformação na maneira de cantar de Fabiana. "Até mudei de professor de canto. Eu precisava interpretar a Piaf", explica. Um pouco da chanson veio para o samba de Cozza. A intérprete precisou pensar mais no texto, para não se deixar levar só pelo batuque caprichado da banda. "Durante toda a gravação do disco, o que eu mais queria era tentar não fazer quebras rítmicas e me concentrar naquilo em que eu estava cantando. O Paulão 7 Cordas (diretor e produtor musical do disco) foi ótimo nisso." Agora, de novo em turnê e com um disco, Fabiana sorri para os dias em que acordava com tantas dúvidas sobre seu futuro financeiro. As informações são do Jornal da Tarde.

Fabiana Cozza - Sesc Bom Retiro (Al. Nothmann, 185, Bom Retiro). Tel. (011) 3332-3600. Hoje, às 20h; amanhã, às 19h; e domingo, às 18h. Ingressos: de R$ 12 a R$ 24.

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