Faap mostra dança contemporânea russa

"As mudanças políticas ocorridas na Rússia nos últimos dez anos não vieram acompanhadas de uma renovação na mentalidade cultural", avalia o coreógrafo Nicolai Ogryskov, que mostra o trabalho que desenvolve lá, de terça a sexta, no Teatro Faap, após ter-se apresentado, na semana passada, no 18.º Festival de Dança de Joinville. A companhia vai apresentar as coreografias Lanterna Mágica e Receita para Adultos.No país da tradição da dança folclórica e da clássica, com 224 anos de Teatro Bolshoi, por exemplo, Ogryskov foi o primeiro coreógrafo a enveredar pela dança contemporânea no país. Em 1990, ele criou o primeiro grupo de dança moderna de Moscou, o Svobodni. Em 91, montou sua Escola de Danças Contemporâneas de Moscou, que sobrevive sem apoios ou patrocínio. A companhia que se apresenta no Teatro Faap é composta por 15 crianças e adolescentes de 12 a 15 anos, no qual se destaca a pequena Ekaterina Tcheraneva. Elas vão apresentar Receita para Adultos, que é uma reunião de pequenas coreografias, com música do Moscowart Trio. "Eu queria fazer um espetáculo sobre a Rússia e é importante dizer que eu fui o coreógrafo mas houve um espaço para o improviso e as meninas foram coreógrafas também", disse Ogryskov. Já em Lanterna Mágica, com música de Bach, o coreógrafo enfoca um lado místico e emocional próprio do povo russo, que é bem diferente do nosso.Nascido em Varonezh, na região cossaca do Rio Don, Ogryskov começou a dançar contra a vontade dos pais. Ele conta que em toda aldeia russa havia a figura de um animador que tocava um instrumento animando as festas. Na sua aldeia, este homem era um ferreiro que dançava muito bem. Foi assim que Ogryskov decidiu-se pela dança. Estudou na escola Bolshoi e depois optou pelas danças folclóricas, tornando-se primeiro bailarino do grupo mais importante do país o Moisseiev, por 18 anos.Seu interesse pela dança moderna começou aos 15 anos, quando era estudante do Bolshoi e assistiu a uma apresentação do grupo de jazz Alvin Ailey American Dance Theatre, com bailarinos negros. "Sou especialista em entrar em teatro pela porta de serviço", conta Ogryskov, ao lembrar a dificuldade que enfrentava para assistir a espetáculos estrangeiros no seu país. "Os ingressos eram distribuídos entre a elite. Mesmo que eu tivesse dinheiro seria impossível comprá-los." Hoje, o país com o qual Ogryskov mantém maior intercâmbio é a França, mais especificamente com a Association Française d?Action Artistique, que em 1997, patrocinou a participação de sua companhia no Festival de Montpellier.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.