Carol Sachs/Divulgação
Carol Sachs/Divulgação

Extinção

Efeito do consumismo inspira Pterodátilos, peça de humor negro que chega a São Paulo

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2011 | 00h00

Em 2002, Marco Nanini e Felipe Hirsch apresentaram o cáustico diálogo do dramaturgo americano Nicky Silver à plateia brasileira. Para alguns, foi demais - engravatados acompanhados de madames de tecido fino puxavam a fila em direção à saída do teatro no intervalo, indignados com a perturbadora família apresentada em Os Solitários, seleção de textos de Silver que se destacavam pelo humor negro.

"Quase dez anos se passaram e as palavras de Silver se tornaram ainda mais atuais", comenta o diretor Hirsch, que volta a se encontrar com o grande ator para encenar um daqueles textos, Pterodátilos, que estreia sexta-feira, no Teatro Faap. "Com o crescimento econômico, o Brasil tornou-se um país ainda mais consumista e justamente essa atitude é criticada pela peça."

De fato, escrita em 1993, Pterodátilos apoiava-se em um assunto ainda em questão (a contaminação pelo vírus da aids), mas trazia como fio condutor a crítica ao consumismo desenfreado, o que leva uma família à extinção. E, comemorando seus 45 anos de carreira, Nanini brilha no palco em dois papeis: Artur Duncan, o pai banqueiro que não consegue chamar o filho pelo nome verdadeiro, e Emma, a filha de 15 anos, jovem desencontrada que está prestes a se casar. "É o retrato cruel mas também fiel da nossa sociedade", afirma.

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