Exposições para ver no carnaval

Quem for ficar em São Paulo durante o feriado pode aproveitar para ver aquelas exposições às quais sempre se planeja ir, mas nunca tem tempo. Aliás, no caso de duas das grandes atrações do circuito das artes visuais, trata-se de uma última oportunidade. Terminam no domingo, tanto a premiada mostra Da Antropofagia a Brasília, em cartaz na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, quanto a exposição Imagem e Identidade: Um Olhar sobre a História, que exibe na sede do Banco Santos um recorte do acervo do mais importante museu histórico brasileiro, o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), do Rio de Janeiro. Ambas reúnem reúnem no mesmo espaço centenas de obras de arte e documentos sobre cerca de meio século de Brasil. Outro grande destaque da programação de cunho histórico, a exposição Albert Eckhout Volta ao Brasil 1644-2003 (Pinacoteca do Estado), também não segue pela segunda e terça-feira de carnaval, reabrindo apenas na Quarta-Feira de Cinzas. A mostra, que já circulou pelo Recife e por Brasília, traz pela primeira vez em sua totalidade a obra do pintor holandês seiscentista que retratou pela primeira vez o homem e a natureza dessas terras selvagens. É uma mostra didática sem ser aborrecida. O vídeo inicial nos introduz no mundo de Eckhout, que acompanhou Maurício de Nassau quando este governou Pernambuco, e nos faz ver como ele soube transpor em imagens o assombroso mundo que estava sendo descoberto. Com uma excelente visitação desde sua inauguração, estimulada pelo fato de ser um evento gratuito, a exposição de Eckhout promete angariar ainda muitos simpatizantes até seu encerramento, no fim do mês. Já o grande hit da temporada, a exposição Guerreiros de Xi´an e os Tesouros da Cidade Proibida, que atraiu uma multidão ao Parque do Ibirapuera - Pavilhão Oca no fim de semana estará aberta durante todo o carnaval e ao preço reduzido de RS$ 1,00. O grande destaque da mostra são os célebres guerreiros em terracota construídos a mando do primeiro imperador da China (sua construção teria sido iniciada em 256 a.C.), além dos ricos tesouros reunidos pelas duas últimas dinastias, até o fim do Império em 1911.Vale a pena ver ainda, no Museu de Arte Contemporânea da USP, uma bela série de ilustrações de Portinari para o D. Quixote, de Cervantes. São 21 desenhos, realizados com lápis de colorir sobre papel, quando o pintor já estava proibido de usar a tinta a óleo por causa da intoxicação que o mataria, alguns anos depois, e que possuem um lirismo contagiante. Na mesma Cidade Universitária há um belo programa para os mais afeitos à arte contemporânea, com o interessante conjunto de exposições organizado pelo Paço das Artes. No Parque do Ibirapuera, além dos chineses, há uma interessante releitura da produção artística da década de 80, geração que ainda continua em plena atividade, mas cuja produção inicial já é vista, duas décadas depois, como uma referência histórica. E, finalmente, para os admiradores do pop e do ícone Andy Warhol, é possível admirar, no Espaço Cultural BankBoston, uma pequena, mas bela seleção de gravuras de sua autoria, nas quais faz uma interessante defesa da fauna e da flora em vias de extinção.

Agencia Estado,

28 de fevereiro de 2003 | 20h01

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