Exposição virtual dá volta ao mundo em 60 cliques

O publicitário Fernando Brandt, de 26 anos, tem um lema quando se trata de viajar: "Mais importante que observar o novo, quando viajo, é absorver o novo." Na adolescência, ele seguiu esse preceito em viagem para Feliz, na Serra Gaúcha, cidade em que, segundo ele "todo mundo fala e troca SMS em alemão". Foi assim também no primeiro passeio internacional, aos 18 anos, para a Patagônia (Argentina) - viagem que levou três dias de ônibus. Aos 23, depois de juntar dinheiro, ele partiu para fazer mochilão na Europa, viajando por 20 países, começando a excursão pela Finlândia e passando por lugares como Estônia, Suécia e Dinamarca. "A molecada queria ir para a Disney e eu queria ir para a Europa", comenta.

IGOR GIANNASI, Agência Estado

28 de fevereiro de 2011 | 16h06

Já os registros da sua mais recente viagem ao exterior acabou virando uma exposição virtual, postados no site www.voltaaomundoem60cliques.com.br. Brandt foi o vencedor de um concurso promovido pela companhia aérea TAM no ano passado e viajou, entre 16 de outubro e 16 de dezembro, por cidades dos cinco continentes: Nova York (EUA), Pequim (China), Auckland (Nova Zelândia), Madri (Espanha) e Johanesburgo (África do Sul). Brandt ficou entre os três finalistas que enviaram um vídeo para o concurso explicando porque deveriam fazer a viagem e foi escolhido pelo voto dos internautas. "A grande sacada do meu vídeo foi o meu texto conseguir passar minha paixão por viajar", justifica.

Das cinco mil fotos que Brandt tirou durante o passeio de dois meses, com uma câmera digital portátil mesmo, ele selecionou 12 de cada cidade, que ilustram não apenas pontos turísticos mas situações inusitadas que chamaram a atenção do viajante. Uma das fotos que ele fez questão de colocar na exposição virtual - por se questionar se encontraria tal cena numa cidade como São Paulo - é a de um cara segurando um cartaz com os dizeres "Help! I need money for weed!" ("Ajudem! Eu preciso de grana para erva!") em uma rua de Nova York.

O contraste dessa "liberdade", o jovem encontrou em Pequim. Ao chegar no hotel e tentar conectar-se na internet, sentiu a censura oficial à rede de computadores. "Os caras não têm acesso aos sites mais legais do mundo, como o Facebook, Twitter e Youtube." Ao mesmo tempo, o exotismo de uma cultura milenar misturado ao lado moderno e espetacular dos arranha-céus, o fez escolher a cidade como o seu destino favorito. E não teve medo de provar atrações gastronômicas muito diferentes daquelas que agradam ao paladar ocidental. Experimentou tripa de ovelha, carne de cobra, pênis de pato e escorpiões fritos, entre outras iguarias. "Às vezes, a quantidade de óleo era pior que o bicho."

Na cidade proibida, como Pequim também é conhecida, o fotógrafo virou objeto de fotografias. "Na China, só de você ser ocidental já é uma atração." Segundo ele, turistas chineses do interior, onde a presença de estrangeiros é mais rara, o abordavam constantemente. Mas isso também acabou ajudando a conhecer dois médicos chineses que visitavam a cidade e que o levaram a uma tradicional cerimônia do chá. Cerimônia esta bem diferente daquelas que são geralmente apresentadas aos turistas.

Já na África do Sul, testemunhar os resquícios do Apartheid, sistema de segregação racial que diferenciava negros e brancos e que terminou oficialmente no início dos anos 1990, foi marcante para Brandt. Na conversa com um motorista de táxi negro, de quase 40 anos, sentiu que "as feridas ainda estão abertas". Ouviu dele que "gente alegre como vocês me fazem aprender a gostar mais dos outros".

Outra diferença cultural que ele destaca, desta vez em Madri, é o momento da "siesta" - o cochilo que os espanhóis tiram no início da tarde. Registrou a foto, que está na exposição, da placa de uma loja com o horário de funcionamento dela. "Tecnicamente, ela não tem nada de mais, mas culturalmente, tem bastante significado", comenta.

Brasilidade - Durante a volta ao mundo, o publicitário fez uma cobertura da viagem para as redes sociais. Todo dia ele colocava um post sobre suas experiências. E também produziu vídeos sobre seus passeios, registrados pelo diretor Guilherme Paganini, que acompanhou Brandt na viagem. A única recomendação da TAM era de encontrar "brasilidade" por cada local que passassem.

Assim, por exemplo, Brandt descobriu uma churrascaria chamada Carnaval na capital chinesa. Porém, ele não recomenda a picanha que comeu ali. Ao contrário da carne que encontrou em um restaurante de comida brasileira em um shopping de Johanesburgo, cujo dono é português. "Lá a picanha era boa." Em Nova York, o publicitário presenciou a comemoração do aniversário de 70 anos do ex-jogador Pelé na Time Square, em Manhattan, organizada pelo time New York Cosmos, no qual o craque jogou nos anos 1970.

Na Nova Zelândia, ele conheceu uma australiana que foi casada com um brasileiro e contou sua impressões sobre o Brasil. Nessa busca por algum pedaço do País nesses lugares do mundo, Brandt chegou à seguinte constatação: "Se você quer fazer amigos lá fora é só sair na noite com a camisa da seleção brasileira". Os 16 episódios produzidos por eles estão reunidos no blog www.fernandobrandt.com.

Outro fruto da viagem, que assim como a exposição virtual, não tem nenhuma ligação com o concurso, é um curta-metragem inspirado no fascínio que as ruelas de Pequim provocaram no publicitário. Brandt escreveu o roteiro e protagonizou o filme de pouco mais de quatro minutos dirigido por Paganini. "Hutong", ruela em mandarim, já está pronto. Mas os criadores estão preparando uma nova versão narrada por um chinês que conheceram na África do Sul para então divulgar o filme.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.