Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Exposição une contos dos irmãos Grimm ao universo do cordel

Curadora estabelece relações entre clássicos da literatura infantil com a poesia popular

Bia Reis, O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2014 | 18h23

Trancada no alto de uma torre desde os 12 anos, Rapunzel é banida para o deserto quando a fada descobre que a moça esperava gêmeos. João e Maria, após se livrarem da bruxa e voltarem para casa, encontram apenas o pai, pois a mãe havia morrido. E Chapeuzinho Vermelho, quem diria?, em um plano arquitetado com a avó, faz o lobo morrer afogado, em um segundo desfecho do clássico conto.

Pode parecer estranho, mas essas são as versão tradicionais de contos clássicos, que foram colocadas no papel pela primeira vez entre 1812 e 1815 pelos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm. Em 2012, os 156 contos originais que compõem o livro Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos ganharam a primeira tradução para o português, da editora Cosac Naify, feita por Christine Röhrig e ilustrada com xilogravuras do cordelista J. Borges.

O que era história oral virou livro e, agora, a exposição Grimm Agreste. Ontem, os 156 contos originais desembarcaram no Sesc Interlagos, na zona sul, em formatos variados. São instalações, xilogravuras, textos, vídeos, áudios e centenas de objetos que dialogam com as versões eternizadas pelos alemães.

“Os contos dos irmãos Grimm e o cordel parecem ter um parentesco secreto”, diz Christine, uma das curadoras, que começou a sonhar com a exposição quando traduziu as histórias do alemão para o português. “Bruxas e diabos aparecem nas histórias de Grimm e no cordel. Há uma versão de Branca de Neve muito antiga, contada na forma dos poemas populares. Eles se relacionam.”

Roteiro. Grimm Agreste extrapola a literatura e propõe que os visitantes percorram 2.150 metros do Sesc Interlagos. São seis áreas temáticas, interativas, recheadas de sons da natureza, como aves e cursos d’água.

A entrada se dá pela Sala Prefácio, área documental e mais didática. No chão há um grande mapa com referências aos espaços e um corredor, separado pelo mar. De um lado estão incríveis objetos pinçados do cotidiano – roupas, ossos de gnomos e colchas de crochê; do outro, 156 cubos. Cada um é ocupado por um objeto ou cena que dialoga com um conto, com precisão, mas de maneira surpreendente.

Quem segue à direita se depara com a Floresta, onde ficam as xilogravuras que J. Borges criou para a versão brasileira do livro e o corredor de histórias. Cornetas instaladas em cabines possibilitam que o visitante selecione e ouça fragmentos de 40 contos, narrados por personalidades como o ator Francisco Cuoco e os cantores Lirinha e Chico César.

“Fragmentamos os contos em frases, sons e imagens para que, ao fim, o visitante conte a sua própria história, seja o protagonista que desejar”, diz Alvise Camozzi, também curador. Ao fim da Floresta, uma porta secreta, trancada, apresenta o último conto, A Chave Dourada. As diversas fechaduras escondem uma paisagem que se transforma, com fundo infinito.

À esquerda da Sala Prefácio está a Biblioteca, que guarda a Máquina para Montar Histórias. Trata-se de uma estrutura com nove rodas e cinco imagens em cada uma. O girar das rodas resulta em composições diferentes de imagens e, assim, histórias variadas. Ainda na Biblioteca, há o Gabinete Secreto, com 2 mil obras, e escadas que levam a projeções e áudios.

A exposição então transborda para a área externa, onde o visitante percorre a Trilha, de 700 metros. Há um diálogo natural com o parque, repleto de árvores e um lago que circunda o prédio principal. Bandeirolas coloridas e animais conduzem até árvores falantes, onde estão os contos de natureza. Há ainda o Poço e a Casa das Poções – esta última no viveiro, onde serão realizadas oficinas, jogos e rodas de histórias. Parte do viveiro foi transformado em um local secreto, cercado de mesas e objetos para experimentos.

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