Instituto Tomie Ohtake
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Exposição revela o estilo de vestir barroco e dramático da Itália

Sofisticado gosto italiano é ponto de partida da mostra 'Vestindo o Tempo – 70 Anos de Moda Italiana', do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo

Maria Rita Alonso e Natália Guadagnucci, Especial para O Estado de S. Paulo

24 de novembro de 2019 | 06h00

Para entender o jeito de vestir de uma sociedade, é preciso buscar razões históricas lá atrás. Na Itália, por exemplo, a moda de hoje, com relances barrocos e dramáticos, guarda elementos de estilo herdados desde os etruscos, antes mesmo dos romanos. O gosto do povo italiano pelo o que é sofisticado e rebuscado, definitivamente, reflete o rico passado estético do país, do Renascimento às glórias da Idade Moderna. É esse o ponto de partida da exposição Vestindo o Tempo – 70 Anos de Moda Italiana, do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. 

Com curadoria do historiador João Braga, a mostra reúne 45 looks de marcas como Versace, Valentino e Gucci. “Apesar de a retrospectiva começar na década de 1950, quando a Itália reconquistou seu posto no centro da produção artística do mundo, todo o contexto histórico faz parte da exibição”, diz Braga.

A mostra ressalta conexões entre a moda brasileira e a italiana, a começar pelo comportamento dos dois povos, notadamente expansivos e calorosos. “A questão da imigração italiana reforçou uma influência cultural exercida desde o período da colonização, quando os jesuítas vieram catequizar os índios”, diz Braga. A preferência pelo brilho, pelo trabalho artesanal e a opulência são características comuns à moda feminina brasileira e à italiana – não à toa, as principais grifes da Itália também têm lojas em São Paulo e algumas outras capitais, pense em Prada, Miu Miu ou Gucci. “O Brasil é uma colcha de retalhos. Tem influência da moda francesa, da inglesa, mas com a italiana, há uma ligação sentimental.” 

As peças, que fazem parte do acervo dos colecionadores Enrico Quinto e Paolo Tinarelli, foram divididas em três eixos na exposição, em cartaz até 2 de fevereiro de 2020. A primeira parte, focada entre as décadas de 1950 e 60, começa em 1951, com um desfile organizado pelo marquês Giovanni Battista Giorgini em Florença, especialmente para compradores norte-americanos. Até então, o reconhecimento do país na tradição da costura devia-se ao domínio técnico. Depois desse evento, ganhou força uma produção com DNA italiano, ainda que com claras referências à produção de outros países, em especial a França – na época, reinava o new look, da Dior, com cinturas marcadas e saias rodadas. “Na Itália, nomes como o estilista Emilio Pucci, que participou do desfile, ajudaram a criar a base da identidade da moda italiana contemporânea”, afirma Braga.

A partir dos anos 1970, quando os estilistas se concentram no prêt-à-porter, a moda pronta para vestir (e para comprar), é que o país se consolida como potência criativa. No segundo eixo da exposição, criadores como Valentino, Giorgio Armani, Gianni Versace, Moschino e Elio Fiorucci ganham os holofotes. Apesar dos estilos distintos – Armani sempre foi cool e mais minimalista, por exemplo, enquanto Versace olhava para a estamparia e a sensualidade –, todos tinham em comum o poder de transformar conceitos em produtos altamente desejáveis. 

A terceira parte mostra os destaques da moda italiana desde os anos 1990 até agora. É a vez de casas como a Prada e a Gucci, que já tinham tradição na produção de artigos de couro no começo do século 20, mas só décadas depois se firmariam como marcas autorais – hoje, duas das mais influentes do mundo. Grifes como Cavalli, Dolce & Gabbana e Versace, agora nas mãos de Donatella Versace, também são boas representantes da estética intensa e teatral da cena italiana. 

VESTINDO O TEMPO – 70 ANOS DE MODA ITALIANA 

INSTITUTO TOMIE OHTAKE. AV. FARIA LIMA, 201. 3ª A DOM., DAS 11H ÀS 20H. GRÁTIS. ATÉ 2/2/2020 

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