Exposição recria história do café

Quem passa diante do enorme cartaz que anuncia a exposição Café na frente do Banco Real da Avenida Paulista, dificilmente imagina que por trás dessa publicidade pouco atraente esteja uma exposição cuidadosamente elaborada, que reúne mais de uma centena de pinturas, gravuras, fotografias, reproduções e diversos objetos de época, recriando de forma bastante criativa um dos momentos mais ricos da história de São Paulo.A coordenação geral do projeto é de Emanoel Araujo, que contou com a ajuda dos curadores Carlos Eugênio Marcondes de Moura, Ruth Sprung Tarasantchi e Carlos Lemos para recriar, em diferentes núcleos, aspectos os mais distintos, da moda à pintura; da arquitetura à religião.Lá está representado o fausto e a riqueza da elite que enriqueceu graças ao ouro verde e pôde deixar para trás a austeridade das casas de fazenda, instalando-se nos recém-construídos palacetes da capital paulista. Roupas, móveis, louças especialmente decoradas atraem os olhares das centenas de pessoas que transitam pelo local.Mais importante, no entanto, é a grande documentação sobre a exploração de mão de obra negra e imigrante, que viabilizou a cultura cafeeira. Como diz o poema de José Paulo Paes, reproduzido na parede da mostra, "O couro do relho/ O peso da canga/ O sal da salmoura/ A ponta do cravo?/ Do Escravo/ O pé de café/ Os carros de cana? Os jogos de amor/ O leme da barca?/Do oligarca."Os curadores não se preocuparam em usar apenas peças autênticas, lançando mão de cópias quando isso se mostrou necessário. No caso de alguns artistas importantes para a compreensão do período, como Debret e Rugendas, não foi possível obter obras originais, estando eles representados por meio de reproduções.O que não quer dizer que não haja belas obras de arte para serem admiradas em O Café, com destaque para as pinturas do italiano Antonio Ferrigno, um dos que melhor retrataram a cultura e as atividades relacionadas à produção de café. Também são autores de interessantes paisagens de fazenda outros imigrantes como Rosalbino Santoro e José Wasth Rodrigues. E um número não menos importante de artistas paulistas também estão representados, como Benedito Calixto, Hanrique Manzo e Georgina de Albuquerque, autora de No Cafezal, um óleo impressionantemente livre para o período, que retrata um grupo de colonos trabalhando a terra.O Café - Diariamente, das 10 às 17 horas. Praça do Banco Real. Avenida Paulista. 1.374. Até 20/10.

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