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Exposição recorda início da construção do Muro de Berlim

Fotos lembram cotidiano dos moradores da RDA e cidadãos mortos enquanto atravessavam a fronteira

Efe,

13 de agosto de 2009 | 10h53

Berlim lembra nesta quinta-feira o aniversário mais triste de sua história recente: o da construção do Muro, em 13 de agosto de 1961, que, durante 28 anos, dividiu a cidade e que depois de pronto esteve presente na vida diária da Alemanha Oriental.

 

Uma exposição na Capela da Reconciliação da Bernauer Strasse de Berlim lembrou os 136 cidadãos que morreram ao tentar atravessar a chamada Faixa da Morte entre a construção e sua derrubada, em 9 de novembro de 1989.

 

Também foi lembrada a manhã em que a cidade amanheceu dividida. Dos alambrados provisórios em setores que ficaram separados ao fim da Segunda Guerra Mundial, iniciou-se a construção do que seriam os 155 quilômetros de muro de concreto, de até quatro metros de altura, que moldaram metade oeste da cidade.

 

"Ninguém tem a intenção de levantar um muro", afirmara o chefe do Estado da República Democrática Alemã (RDA), Walter Ulbricht, dois meses antes. Em 13 de agosto, um domingo, ficou claro que a realidade era outra e que o regime construiria o que foi batizado de Muro de Proteção Antifascista.

 

Os alambrados provisórios eram um corredor atravessado todos os dias pelos cidadãos da Alemanha Oriental em direção à parte oeste. No seu lugar foi construído o muro, que foi sendo reforçado até se transformar em fronteira quase inviolável.

 

Da parede inicial se passou a um muro duplo, com um corredor interior de 100 metros de largura, em alguns pontos, equipado com torres e vigiado por 11.500 soldados com ordem de atirar contra quem tentasse atravessá-lo.

 

A Bernauer Strasse, uma das ruas que ficou dividida, conserva um desses lances de muro duplo, junto ao qual há um centro de documentação.

 

O fragmento mais longo, de 1,3 quilômetro, é conhecido como East Side Gallery, onde artistas de todo o mundo estamparam suas pichações após a queda do Muro, repintado agora por causa da proximidade de outra comemoração muito mais alegre: o 20º aniversário da queda do Muro, em novembro.

 

A ostra grávida

 

Na Casa das Culturas do Mundo, um pavilhão de congressos do lado ocidental apelidado "A ostra grávida" por sua arquitetura singular, foi inaugurada a mostra "Tempo do Leste. Histórias de um país do passado", que inclui imagens de cinco fotógrafos da agência Ostkreuz - Sibylle Bergemann, Ute Mahler, Werner Mahler, Harald Hauswald e Maurice Weiss.

 

Trata-se de um grupo de profissionais germânico-orientais - com exceção de Weiss, do oeste, mas que se juntou aos demais -, que, a meio caminho entre a reportagem gráfica e a foto artística, recriaram a vida diária na RDA.

 

As imagens vão das concentrações oficiais do 1º de Maio, por ordem do regime, a encontros entre dissidentes e shows de rock na semiclandestinidade.

 

De um lado, Egon Krenz, último chefe do Estado e do partido da RDA conversando com Margot Honecker, a mulher de seu antecessor, Erich Honecker, em um ato oficial de 1980. Do outro, participantes do mesmo desfile, voltando para casa com o olhar perdido.

 

As fotos, em rigoroso preto-e-branco, formam um conjunto de tom inevitavelmente melancólico. "Nem tudo foi triste, também nos divertimos, víamos futebol, namorávamos", explicou Hauswald, para quem sua série de fotos tenta refletir "o lado engraçado enterrado em tanta tristeza germânico-oriental".

 

Em sua maioria, as fotografias correspondem às últimas duas décadas de existência da RDA. Fecha a exposição uma série de Weiss, tirada em 11 de novembro de 1989, dois dias depois da queda do Muro, com centenas de berlinenses passeando pelas ruas, de um lado e do outro, sem acreditar ainda que a divisão acabara.

 

Como registro final, o pavilhão vazio, com o cartaz do Congresso Extraordinário do Partido Socialista Unificado, de dezembro de 1989, com a RDA a caminho da extinção.

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