Reginaldo Azevedo
Reginaldo Azevedo

Exposição no metrô revela coreografias da São Paulo Companhia de Dança

Fotos serão expostas em três estações até março; diretora artística do grupo falou sobre projeto

Juliane Freitas - estadão.com.br,

09 de janeiro de 2012 | 15h06

SÃO PAULO - Quem anda pela estação Brás poderá contemplar à partir desta terça-feira, 10, algo além do incessante vai-e-vem de pessoas que circulam pelos trens. Serão 18 as imagens de exposição organizada pelo Metrô de São Paulo e a São Paulo Companhia de dança a tentar cativar a atenção dos passantes.

 

Dança das Imagens, com fotografias dos espetáculos apresentados pelo grupo paulista em seus 4 anos de estrada, ficará em cartaz até fevereiro, quando segue para a Estação Paraíso e, finalmente, em março, para a Estação da Luz. O intuito é tornar a dança mais presente na cidade, através do "diálogo com outras áreas artísticas", como pontuou uma das diretoras da São Paulo Companhia de Dança, Inês Bogéa, em entrevista ao Estadão.com.br por telefone.

 

"São dezoito fotografias que retratam as 15 coreografias da São Paulo Companhia de dança, que vão do clássico ao contemporâneo. Na escolha procurei ressaltar o trabalho de grupo sem perder o detalhe das individualidades, então algumas fotos têm o grupo todo, outras detalham mais uma só pessoa, ou um duo, aproximando também o espectador das diferentes facetas do trabalho da companhia", revela.

 

O trabalho também cria o diálogo da dança com a população, em que boa parcela provavelmente nunca assistiu a um número de balé. "A cultura precisa ir onde a população está. As pessoas que nunca tiveram contato com um espetáculo de dança poderão ter por meio da fotografia e, quem sabe, venham assistir à nossa apresentação. Essas são palavras do secretário Andrea Matarazzo que se encaixam muito bem", diz Inês Bogéa.

 

 

Unindo-se à exposição, as três estações por onde a mostra passará receberão performances dos bailarinos da companhia. A primeira delas acontece no aniversário de 4 anos da São Paulo, na Estação Brás, às 17h. A apresentação terá improvisações, adequadas ao espaço. "Ela tem uma espontaneidade e a gente tem uma surpresa no final, as pessoas vão ver a São Paulo Companhia de Dança e quem sabe queiram dançar com a gente", revela a diretora.

 

A companhia lança ainda neste mês o livro Terceiro Sinal - Ensaios Sobre a São Paulo Companhia de Dança, com textos de especialistas, que acompanharam durante todo o ano passado o trabalho do grupo, sobre os espetáculos apresentados, coreógrafos representados, a relação dos bailarinos e do público com a dança e mesmo histórias fictícias. Em janeiro, começa a ser distribuído também o novo documentário da série Figuras da Dança, que neste mês conta as histórias das bailarinas Célia Gouvêa e Ana Botafogo.

 

 

Sobre esses projetos, a diretora artística Inês Bogéa respondeu às perguntas do Estadão, além de comentar sobre a trajetória e a programação da São Paulo Companhia de Dança.

 

A Companhia tem apenas quatro anos. Como tem sido o trabalho? Já foi possível fazer um balanço?

 

O que eu posso lhe dizer é que a gente tem tido a continuidade dos trabalhos desde a criação da companhia. A companhia tem três eixos principais: a criação e circulação de espetáculos, os programas educativos e de formação de plateia e os de registro e memória da dança. Esses três eixos vêm desde a criação e têm tido continuidade, o que é o grande desafio de todo projeto que se inicia.  O que nos encanta é poder apresentar espetáculos de qualidade artística em diferentes locais no estado de São Paulo, no Brasil e também no exterior.

 

O que une esses três eixos?

 

O que une é a dança. Há um diálogo constante dos três eixos. Quem assiste a um espetáculo para os estudantes (40 mil já participaram) vai assistir à companhia, um pouco dos bastidores, vai ter a oportunidade de fazer alguma movimentação junto comigo ou com o bailarino que eu convido a vir à cena. Os artistas participam do Figuras da Dança são artistas que fizeram disso possível, são pessoas que tem a nos ensinar e a comentar sobre o trabalho da companhia, que passam algum tempo aqui com a gente. Inclusive os escritores dos ensaios, que às vezes são de áreas diferentes da dança, ficam conosco para depois escolher sobre o que vão escrever. A companhia se torna um lugar de encontros dos mais diferentes artistas pra pensar no projeto brasileiro de dança.

 

Neste ano a companhia seguirá para turnês internacionais. Como vocês enxergam essa projeção?

 

Acreditamos que ao levar a companhia para outras cidades, seja do estado, seja de outros estados do País ou para fora do País, estamos levando o nome do governo, fortalecendo a imagem da companhia e também criando diálogos com as pessoas. Ao participar de um festival, participamos de um intercâmbio, onde você encontra outros artistas e formadores de opinião, em alguma medida você coloca em perspectiva a importância do trabalho que está sendo desenvolvido aqui pela companhia.

 

Como será a programação para 2012?

 

Neste ano nós vamos participar do Festival Internacional de Dança da Holanda, agora em fevereiro, e vamos levar duas coreografias de brasileiros, Inquieto, de Henrique Rodovalho, e Duplos, de Mauricio de Oliveira, criadas especificamente para a companhia, além de uma coreografia do espanhol Nacho Duato. A gente acaba fazendo uma difusão da dança do Brasil ao apresentar essas coreografias de brasileiros internacionalmente.

 

No Brasil, vamos estrear em Piracicaba com uma obra inédita do Rodrigo Pederneiras e o solo 101 do Eric Gauthier, então nosso ano já começa com apresentações pelo interior de São Paulo, que é a ênfase do nosso trabalho.

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