Exposição no Masp revela Egito antigo

Quem se interessa pelas civilizações antigas e por história da arte não tem do que reclamar este ano. Após a concorridíssima exposição realizada na Faap, que tratava da arte no Egito antigo e atraiu 365 mil visitantes, chegou a hora do Masp exibir uma esplendorosa exposição sobre a religiosidade e as crenças egípcias. Apesar de O Egito Faraônico - Terra dos Deuses não ter a expressão artística como foco central, ela reúne uma seleção de 88 peças provenientes da coleção do Louvre que refletem todo o esplendor de mais de dois milênios. Complementando essa seleção, também são exibidos excertos de duas coleções brasileiras de egiptologia, da Fundação Eva Klabin e do Masp.A mostra não tem uma divisão cronológica, mas temática. Os objetos pertencentes a um longo intervalo de tempo - que vai de 2.000 a.C, quando as manifestações religiosas começam a tornar-se mais populares, ao século 3 ou 4 a.C - estão subdivididos em cinco blocos. No primeiro deles, aberto com duas esfinges, que pesam mais de 3 toneladas (estando entre as mais pesadas obras já expostas no Masp) é discutida a idéia de que faraó é Deus na terra. "Não há nenhuma civilização, organização social sem religião e no Egito o faraó nasce dessa religião", explica a conservadora do Louvre, responsável pela curadoria da mostra, Elisabeth Delange. Do lado brasileiro, o curador é Antonio Brancaglion Jr.Num segundo momento, é abordada a diversidade de deuses, seus nomes, suas formas, assim como a tentativa de impor o monoteísmo por meio da adoração ao Deus Sol, no século 13 a.C. Uma bela imagem do Deus coroado pelo disco solar é uma das peças inéditas reunidas na exposição. Se há algumas peças da mostra que nunca foram expostas, há 35 outras que em tempos normais figuram em lugar de destaque no Louvre.No terceiro bloco são abordados diferentes ritos e práticas litúrgicas, concentradas na figura do faraó, único que se pode fazer representar diante das figuras dos deuses. Na verdade, os sacerdotes nada mais são do que seus representantes. Em seguida, vemos uma certa flexibilização desse centralismo, com o surgimento dos ex-votos e das objetos de peregrinação que os cidadãos comuns pouco a pouco puderam fazer para demonstrar sua fé. Dentre essas peças há objetos extremamente belos como uma pequena estatueta de Ísis amamentando Horus.Finalmente, concluindo a mostra, está o lado mais explorado da cultura egípcia, mas nem de longe o único: sua relação com a eternidade e a morte. A última peça é um fantástico sarcófago de Sutimés, um grande sacerdote da 20.ª dinastia, aproximadamente do ano mil a.C. "Esse é o momento em que os sarcófagos são mais decorados", afirma Elisabeth, explicando que todos os motivos usados são simbólicos e revelam o desejo de conseguir uma superabundância de proteção eterna para quem está lá dentro.Além do próprio sarcófago, também foram trazidos elementos encontrados na tumba como os vasos de alabastro utilizados para guardar as vísceras e uma série de jóias riquíssimas que usualmente eram usadas para enfeitar os mortos, como um belo broche com a figura do pássaro-alma em ouro e lápis lazuli que tem uma monumentalidade impressionante para seu diminuto tamanho, de apenas 2,5 centímetros de altura. "Isso deriva das proporções perfeitas da arte egípcia, explica a curadora, que procurou em sua seleção contemplar não apenas a riqueza espiritual dessa civilização que se encontra na base da cultura judaico-cristã, mas também permitir que o público brasileiro desfrutasse a enorme riqueza artística e esplendor visual.Serviço - Egito Faraônico - Terra dos Deuses. De terça a domingo das 11 às 18 horas. R$ 10,00 (estudantes pagam meia/ menores de 10 e maiores de 60, grátis). Agendamento de grupos e escolas pelo 283-2585. Masp. Avenida Paulista, 1.578, tel. 251-5644. Até 16/12. Abertura amanhã (27), às 19 horas, para convidados. Patrocínio Bradesco Seguros, Grupo Votorantim e Grupo Pão de Açúcar.

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