Exposição mostra o Rio com o lixo nas ruas

O papel de bala, o saco de biscoitos e a guimba de cigarro que são jogados fora da lata do lixo custam muito caro ao poder público. Por conta disso, a Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) gasta anualmente R$ 67 milhões do seu orçamento total, que é de R$ 300 milhões, somente para retirar a sujeira das ruas. "Se fosse feita essa economia, a prefeitura poderia estar destinando esta quantia para outras áreas como, por exemplo, a saúde", constata o Diretor Técnico e Industrial da empresa, José Guimarães Bulus.Com o objetivo de alertar o carioca para a questão, a Comlurb inaugurou, hoje, no Planetário da Gávea, uma exposição que trata do assunto. São depoimentos, caricaturas e fotografias que mostram como fica a cara da cidade por causa mau hábito que as pessoas têm de jogar o papéis no chão. A mostra, que fica até setembro no Planetário, será itinerante. Entre os 64 depoimentos gravados em vídeo estão os do cantor e compositor Gilberto Gil, da atriz Maitê Proença e do cartunista Ziraldo.O carioca produz 8 mil e 250 toneladas de lixo por dia. Do total de serviço de limpeza urbana executado pela Comlurb, 62% são destinados à coleta de lixo domiciliar. Os 38% restantes do volume total são recolhidos das ruas. Levando-se em conta que destes 38% há uma parte que não é conseqüência da ação do cidadão, como a queda de folhas das árvores, o Rio registra 28% só de sujeira provocada pela falta de educação de sua população. Em cidades da Europa e dos Estados Unidos este número é de 7 ou 8%.A diretoria da Comlurb vem conversando com a Secretaria Estadual de Educação do RJ para que seja inserida no currículo do ensino fundamental uma cadeira de educação social. "É necessário criar uma consciência social e ambiental. Mas sabemos que se este projeto for implantado, os resultados serão de médio ou longo prazo", pondera Bulus.O diretor técnico da companhia sabe que, antes disso, é necessário criar uma proposta mais imediata para conter não só as despesas como a degradação do meio ambiente. Para Bulus, a solução a curto prazo pode ser obtida com campanhas educativas permanentes. "Educação ambiental por espasmo não adianta, não fixa na cabeça das pessoas. O problema é que o poder público não tem verba suficiente para manter este tipo de propaganda permanente" lamenta. Ele considera que a saída é tentar sensibilizar os meios de comunicação. "Não vejo outra alternativa: se não houver uma parceria com a mídia, não chegaremos lá", constata.Atualmente, a Comlurb tem 7.200 garis trabalhando no seu sistema de coleta de lixo. Destes, 3.600 fazem a parte de varredura de rua. Hoje existem 57 mil latinhas instaladas. No ano cerca de 4.200 são destruídas, enquanto outras 6.800 cestas são recuperadas. O custo de uma lata do lixo nova fica em R$ 48 enquanto a empresa gasta R$ 16 para reformar cada peça danificada.

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