Exposição leva Chacrinha ao metrô carioca

Um pouco do universo do rei dos programas de auditório, Abelardo Barbosa, o Chacrinha, estará exposto à visitação a partir de segunda-feira na estação Carioca no Metrô do Rio, no centro. Fotos, roupas, sapatos, chapéus e até a famosa buzina que o apresentador usava serão distribuídos em 36 painéis e poderão ser vistos das 6 às 23 h, de segunda a sábado. A mostra Recordando o Velho Guerreiro acontece cerca de dois meses antes do aniversário do nascimento de Chacrinha, que faria 82 anos.A autoria das 300 fotos é de Manoel Delgado, fotógrafo oficial de Chacrinha, que o acompanhou por mais de vinte anos. Foi dele a idéia da exposição. "Escolhi o metrô porque é um lugar bastante movimentado, por onde passam milhares de pessoas", contou. "É importante que as crianças que não o conheceram pela televisão saibam de sua importância". Há registros dos diversos programas que ele apresentou durante sua carreira, com bastidores, chacretes, jurados, artistas, além de muitas festas em família. "Eu estava sempre com ele, não perdia nada", contou Delgado, que conheceu o Velho Guerreiro, que considerava como pai, quando tinha apenas 20 anos. "Ainda hoje lembro dele diariamente e choro por sua partida", disse. "Eles eram incrivelmente próximos", disse José Aurélio Barbosa, o Leleco, de 49 anos, filho de Chacrinha que dirigiu e produziu seu último programa, Cassino do Chacrinha, na TV Globo, por seis anos. Delgado - que, depois da morte de Chacrinha, em 1988, fotografa festas de casamento - clicou a presença do ex-presidente José Sarney em um churrasco na casa do Velho Guerreiro e sua relação com as chacretes - em especial Rita Cadillac, que virou cantora. "Ela era a mais saliente das meninas", contou o fotógrafo, que tem cerca de 35 mil negativos de fotos do apresentador. "Um dia ele viu um trabalho meu e gostou muito, então me chamou para trabalhar para ele". Delgado contou que jamais recebeu salário fixo. "Simplesmente lhe dizia que precisava de uma certa quantia, e ele me dava".Emoção - Leleco se disse muito feliz com a homenagem. "Tudo que é feito em torno do nome do meu pai nos emociona", contou. "Ele foi o Ayrton Senna da comunicação; seu nome nunca será esquecido". Segundo ele, o túmulo do apresentador, no cemitério São João Batista (zona sul do Rio), é muito visitado pelos fãs, que levam flores e rezam por ele."Tem até calouro que vai lá cantar; é como se ele não tivesse morrido", contou.Para divulgar a vida do pai, Leleco pretende criar um site na Internet, que deverá entrar no ar nos próximos meses. "O internauta vai se sentir participando do Cassino do Chacrinha", promete. "Ainda estamos em fase de produção, mas posso adiantar que a página será interativa e as pessoas poderão ser jurados, calouros ou artistas".

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