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Exposição itinerante traz 99 imagens do estúdio francês Harcourt

Os retratos em branco e preto, inspirados na época de ouro do cinema, ficam até 12 de agosto no RJ

ROBERTA PENNAFORT / RIO , O Estado de S.Paulo

11 Julho 2012 | 03h08

RIO DE JANEIRO - "Na França, não é ator quem não foi fotografado pelo estúdio Harcourt". Palavras de Roland Barthes. O aparente exagero do sociólogo é justificado pelo status alcançado pelo Harcourt em quase 80 anos contínuos em atividade. Sob seus refletores, num casarão na Avenida Montaigne, próximo à Champs Elysées, o bulevar mais chique de Paris, posaram os grandes do cinema francês, de Simone Signoret a Marion Cotillard, de Alain Delon a Jean Dujardin. E ainda estrelas da música, da moda, da dança, da política e dos esportes do mundo todo, inclusive do Brasil.

Com status de obras de arte, os retratos em preto e branco, de estética inspirada na era de ouro do cinema, são reconhecíveis por qualquer olhar treinado: a aura glamourosa, a luz dramática, roupas, cabelo e maquiagem perfeitos. As fotos viraram sinônimo de sofisticação na França, a ponto de as sessões de US$ 2 mil atraírem mesmo quem não poderia pagar por elas. São presentes dados a amigos de bom gosto e lembranças de família com lugar central nas salas de estar mais requintadas.

Desde sexta-feira, 6, e até 12 de agosto, 99 das mais icônicas imagens feitas desde 1934 estão expostas no Centro Cultural Correios, no Rio. Trazida pela Aliança Francesa, a exposição Harcourt, Escultor de Luz, que neste segundo semestre ainda segue por São Paulo, Fortaleza, Brasília, Porto Alegre e outras capitais, tem imagens hipnotizantes: a beleza de Catherine Deneuve e Jeanne Moreau ontem e hoje; a doçura de Charles Aznavour; a sensualidade no olhar de Brigitte Bardot; Salvador Dalí e sua expressão enigmática; a melancolia de Edith Piaf. Até a Barbie, com corte de cabelo moderno, "posou" para os fotógrafos do Harcourt em 2006 e em 2009.

"Os iluminadores no Harcourt são tão importantes quanto os fotógrafos. O jogo de luz e sombra faz com que as fotos sejam tridimensionais", diz Catherine Renard, diretora do estúdio, que virá ao Rio em agosto. "Ao longo do tempo, as sessões de fotos foram se tornando objeto de desejo. Todo mundo se sente uma estrela, são os quinze minutos de fama de Andy Warhol."

O cacique Raoni (em 1998) Paulo Coelho (em 2008), Glória Pires (em 2010) e o tenista Gustavo Kuerten também posaram. Guga tinha 23 anos, e fazia naquele ano de 1999 sua melhor campanha em Wimbledon, já depois da glória em Roland Garros.

A mostra passou por paredes distantes, como Xangai, mas com outra seleção. A combinação de retratados é imensa, rendem exposições diversas - na China, por exemplo, entraram estrelas da prolífica indústria cinematográfica local.

Marlene Dietrich, Josephine Baker, Monica Bellucci, Spike Lee, Dita Van Teese, Michael Schumacher, Costa Gavras, François Mitterrand - rostos dos mais célebres do século 20 desfilam pelo CCC. A entrada é gratuita.

A francesa L'Oréal patrocina, e vai convidar doze celebridades brasileiras para integrar a galeria do estúdio. Elas ainda estão sendo escolhidas - serão fotografadas por dois profissionais do Harcourt e as imagens vão compor o calendário que a empresa produz e distribui anualmente.

 

As sessões serão no Sofitel, hotel francês na Praia de Copacabana. "No Harcourt, existe a certeza de que será uma bela foto. Todo mundo fica bonito", brinca, e promete, Catherine. Não está sendo fácil encontrar por aqui todo o material necessário, a fim de recriar o ambiente original, diz Emmanuelle Boudier, curadora da mostra pela Aliança Francesa. "O fundo cinza, por exemplo, tem de ser em papel, não pode refletir muito, tem de absorver a luz na medida que eles fazem lá. Os fotógrafos trazem só as câmeras", explica.

O estúdio fez fama ao clicar os astros da era de ouro do cinema. Atores acabaram por se tornar sua especialidade. As fotos os imortalizaram. Tornaram-se patrimônio nacional - adquirido pelo Estado francês, tamanha sua relevância para a cultura do País.

"Mais do que uma fotografia, uma experiência", diz o slogan do estúdio, que promete retratar a "perfeita combinação entre o mistério e a lenda". As sessões seguem um ritual que pode durar três horas.

A "assinatura" Harcourt é o selo de qualidade que todos querem na parede - nos primeiros anos, aliás, eram as paredes dos cinemas franceses que serviam de salas de exposição. Os retratos faziam as vezes de pôsteres dos filmes. No QG do Harcourt, até a recepção, decorada com fotos antológicas e poltronas confortáveis, tem iluminação cinematográfica, para o cliente já ir entrando no clima.

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