Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Exposição homenageia veteranos de 'A Última Sessão'

Hall do Teatro Frei Caneca deverá receber totens com informações históricas sobre a trajetória artística do elenco

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2013 | 20h00

Odilon Wagner não pretende homenagear seus adoráveis velhinhos apenas no palco – ele estuda, ao lado da direção do Teatro Frei Caneca, instalar uma exposição no hall de entrada com totens trazendo fotos e informações históricas sobre cada um dos atores. “Seria uma forma de o espectador menos informado descobrir a rica trajetória teatral desses artistas”, comenta o diretor e produtor.

Ele garante não enfrentar problemas durante os ensaios: além de pontual e disciplinado, o elenco oferece inúmeras oportunidades dramatúrgicas. “É que vivenciamos algumas dessas histórias, daí a facilidade com que lidamos com o assunto”, comenta Etty Frazer, uma das principais inspirações do texto de Wagner. “Ela foi fonte para diversos momentos da peça, especialmente os mais engraçados”, confidencia o diretor. “Etty frequenta o Clube Inglês de São Paulo, que é o local onde os amigos se encontram, na peça.”

Apesar de ter se alimentado das boas (e más) lembranças de figuras de seu elenco, Odilon Wagner conta que sua pesquisa foi mais ampla, atingindo atores e atrizes com quem trabalhou (ou mesmo apenas acompanhou em cena). “Eu não podia deixar de fora, por exemplo, o estilo peculiar de John Herbert ou a classe indestrutível da Cleyde Yáconis”, observa.

O resultado é uma convidativa viagem no terreno teatral, reminiscências que ganham vida de épocas douradas como companhias de atores como as de Tônia Carrero e Paulo Autran, as montagens de textos clássicos estrangeiros e de peças de autores contemporâneos no Teatro Brasileiro de Comédia, o frescor do Teatro de Arena e do Oficina, a renovação estética e conceitual capitaneada por diretores como Antunes Filho, José Celso Martinez Corrêa, Flávio Rangel, Gianfrancesco Guarnieri. “Busquei retratar instantes que foram significativos nos palcos brasileiros”, conta Wagner.

Uma oportunidade para Nívea Maria recuperar o tempo perdido. “Completo 50 anos de carreira, mas praticamente só trabalhei na televisão”, afirma. “Participar dessa peça vai permitir que eu resgate meu verdadeiro lado de atriz.”

Odilon garante que não vem enfrentando um problema que poderia ser o principal empecilho para uma produção tão particular como essa: o desinteresse de patrocinadores. “Já conseguimos garantir mais da metade do orçamento previsto e a idade dos atores, que poderia ser vista como um risco por alguns investidores, ainda não afugentou ninguém.”

O sucesso de espetáculos, especialmente no cinema, que trazem veteranos na linha de frente comprova o potencial de lucro. O filme O Exótico Hotel Marigold, por exemplo, foi um sucesso de bilheteria – custou US$ 15 milhões e rendeu mais de US$ 120 milhões.

Na mesma linha seguiu O Quarteto, longa que marcou a estreia de Dustin Hofmann na direção: foi produzido com US$ 11 milhões e faturou mais de US$ 330 milhões. Cifras que justificam uma frase do compositor Capiba, usado como mantra pelo elenco de A Última Sessão: “Envelheça, mas não fique velho”.

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