Exposição em Nova York revela a ´cara feia da beleza´

A recente polêmica gerada pela proibição de modelos anoréxicas em desfiles de importantes passarelas internacionais chegou ao Museu de Arte de Chelsea, em Nova York, onde uma exposição explora os padrões estéticos e revela a "cara feia da beleza". Sob o eloqüente título de Dangerous Beauty (Beleza Perigosa), a mostra, que ficará aberta até o final de abril, procura desafiar os ideais de beleza da sociedade contemporânea, em sua grande maioria definidos e alimentados pelo consumismo. As obras capturam a ansiedade de uma sociedade centrada na beleza, fazem conexões interessantes entre conceitos como beleza e violência, e abordam temas como o medo da velhice, a bulimia e a anorexia, as cirurgias plásticas e a lipoaspiração. São obras de uma beleza perigosa, uma área onde o mito da beleza se choca com a realidade. "As obras examinam o fenômeno e as implicações dos atuais padrões de beleza e identidade, e questionam se há espaço para o subjetivo e o individual, em uma sociedade de expressão em massa", assinala a curadora da mostra, Manon Slome. Ao entrar na exposição, o espectador se depara com uma instalação de Jacob Dahlgren no chão, intitulada O Céu é Um Lugar Na Terra (2006), uma plataforma composta por balanças de banho vermelhas, azuis e brancas, sobre as quais é possível caminhar. Sabonete A preocupação com o peso também é abordada pela artista argentina Nicola Costantino, que considera que tentar alcançar uma boa forma é um plano de vida ambicioso, já que a pessoa se propõe a esculpir, literalmente, seu próprio corpo. Seu projeto, Savon de Corps, é uma edição de 100 sabões que contêm 3% de gordura do seu corpo, em forma de tronco do corpo humano feminino. O tecido adiposo - de cerca de dois quilos no total - foi obtido através de uma lipoaspiração, à qual Nicola se submeteu para este projeto, apresentado com uma estratégia de marketing com a imagem da artista seminua e um slogan em francês: "Idioma do glamour e da cosmética". Segundo Nicola, a estratégia de marketing habitual para comercializar cosméticos se baseia na identificação do público com um personagem famoso, como uma modelo ou uma atriz, e não no artigo em si. Em Savon de Corps, a artista não é a cara, mas a matéria-prima do produto. Por isso, o público não comprará a imagem, e sim o corpo da modelo, em uma nova concepção de consumo. Cirurgia plástica A cirurgia estética como "performance" tem suas origens na artista francesa Orlán, também incluída nesta exposição com uma documentação fotográfica de sua obra Reencarnação de Santa Orlán. Conhecida como a criadora da "arte carnal", Orlán fez diversas cirurgias em seu rosto, mas a artista plástica não buscava atingir um padrão de beleza, nem criticar a cirurgia estética. Seu objetivo era questionar "os ditames de uma ideologia dominante (a masculina), que molda a si mesma com a carne feminina". Em 1990, Orlán começou a se submeter a nove cirurgias plásticas. Assim, transformava seu rosto no de personagens femininos mitológicos ou pictóricos, como Vênus e Mona Lisa. "Escolhi estes personagens não pelos padrões de beleza que, teoricamente, representam, e sim pelas histórias associadas a eles. Diana, por exemplo, não aceita se submeter aos deuses e aos homens. Ela é ativa, inclusive agressiva", diz a artista. Uma das cirurgias mais conhecidas de Orlán foi Onipresença, um implante de protuberâncias na testa, para emular as da Mona Lisa, e que resultaram em espécies de chifres, que tornaram a artista mundialmente conhecida. Mais artistas Outros artistas em Beleza Perigosa abordam o ato de modificar o próprio corpo por causa de preocupações estéticas, como é o caso das fotografias de jovens modelos feitas por Lauren Greenfield, ou a estética da velhice, representada na série de fotos de Erwin Olaf, com mulheres maduras em poses e roupas sedutoras. A mostra também tem a participação de Marilyn Minter, Martin C. De Waal, Barbara Kruger, Sylvie Fleury e Tom Sanford, este último com retratos de Nicole Richie, Paris Hilton e das irmãs Mary Kate e Ashley Olsen.

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