Exposição e tese de Sérgio Romagnolo

Em 1993, Sérgio Romagnolo refez os 12 profetas de Aleijadinho, recobrindo e remodelando as figuras com um plástico cinza, material que reproduzia, artificialmente, as dobras dos panos que cobrem as esculturas barrocas, o efeito conhecido como panejamento. A idéia das dobras acabou virando tema de seu mestrado, que tratou diretamente das questões do barroco, em 1996. As peças e telas que o artista plástico mostra a partir de sábado, para convidados, da Casa Triângulo, representam uma espécie de abstração dessa pesquisa de sete anos do artista sobre a corrente artística. As obras fazem parte de seu projeto de doutorado e marcam um retorno do artista à pintura.A começar pelas figuras, Romagnolo se distancia da primeira fonte de observação de sua pesquisa, as reproduções das imagens do escultor mineiro, com as quais conviveu diariamente durante o tempo de estudante na Faap. Em vez dos profetas de Aleijadinho, que aos poucos foram dando lugar à imagens mitológias e objetos, ele recobriu de massa plástica réplicas como um latão de leite, pares de sapatos e os corpos de suas filhas, Rita e Yara, de 10 e 3 anos.Essas esculturas são realizadas com argila e cobertas com plástico vermelho. A cobertura, depois de passar pelo processo de modelagem, tem o recheio de argila retirado. É exatamente sobre esse último momento do processo de construção de suas esculturas que Romagnolo desenvolve sua nova tese, sob orientação de Carlos Fajardo e com apresentação prevista para daqui a dois anos. "A pesquisa é sobre o vazio que existe dentro das esculturas", explica o artista. Romagnolo avisa que pretende tratar só do vazio de suas esculturas. Mas é impossível não relacionar a tese, provisoriamente batizada de A Desaparição na Escultura (por dizer respeito ao momento em que a argila "desaparece" de dentro da peça), ao vazio mais famoso da história da escultura brasileira: os santos de pau oco. Esse tipo de obra, oriunda principalmente do barroco mineiro, ficou famosa por se tornar veículo de contrabando. "De fato, Aleijadinho também tem muitos trabalhos ocos ou apenas com um lado, que é uma característica teatral do próprio barroco", concorda ele. "E as obras de Aleijadinho são as mais impressionantes que já vi na vida". Romagnolo conta que passou dez anos pintando, outros dez fazendo escultura e quatro tentando juntar as duas coisas. "Agora, acho que cheguei a esse acordo".Na exposição da Casa Triângulo, o artista mostra uma série de telas, nas quais, com um processo semelhante ao da moldagem, retrata as filhas em trabalhos que classifica como pintura modelada.Sergio Romagnolo. De terça a sexta, das 11h às 19h; sábado, até às 15h. Casa Triângulo. Rua Bento Freitas, 33, tel. 220-5910. Até 15/7

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