Exposição e livro perpetuam mito de Marilyn Monroe

Mais de 40 anos depois de sua morte, Marilyn Monroe continua sendo a encarnação da mulher linda e sedutora, um dos maiores mitos e a mulher mais sexy do século 20. Há sempre um novo livro ou uma exposição de fotografias dela. Até o dia 20, o Brooklyn Museum, em Nova York, exibe I Wanna Be Loved by You, com cerca de 200 retratos da atriz e vários trechos dos filmes que ela fez. E a acadêmica Sarah Churchwell acaba de lançar, pela Metropolitan Books, The Many Lives of Marilyn Monroe, uma análise crítica sobre mais de 60 livros, 40 filmes, 20 peças de teatro, dez romances e uma ópera produzidos sob o rótulo de biografia da loira. Com o mesmo título de uma das canções da comédia Quanto mais Quente Melhor (de 1959, dirigida por Billy Wilder, em que ela contracenava com Jack Lemmon e Tony Curtis), a exposição é composta por fotografias da coleção de Leon e Michaela Constantiner. Tem fotos desde 1945, quando Marilyn ainda tinha cabelos castanhos e se chamava Norma Jean Baker, até a série de 59 retratos registrados por Bert Stern, em 1962, que foi a última sessão de fotos para a qual ela posou, algumas semanas antes de morrer de overdose, em 5 de agosto de 1962, aos 36 anos. As fotos na exposição foram feitas por 39 dos grandes fotógrafos internacionais dos anos 50 e 60, como Richard Avedon, Cartier-Bresson, Cornell Capa, Robert Frank e Weegee. Há imagens superconhecidas, como o famoso nu registrado por Tom Kelly que ocupou as páginas centrais da primeira edição da revista Playboy, em 1949, e, registrada ao mesmo tempo por três fotógrafos, a cena do filme O Pecado Mora ao Lado (1955), também dirigido por Billy Wilder, em que o vestido dela é soprado para cima num respiradouro do metrô de Nova York. Há também fotos raras, como o retrato dela segurando uma rosa tirado por Cecil Beaton, que pertencia à própria Marilyn, ou uma de Lawrence Schiller tirada durante as filmagens de Something´s Got to Give, dirigido por George Cukor, que ficou inacabado com a morte da atriz. Duas das pinturas em silkscreen criadas por Andy Warhol a partir de uma foto feita por Frank Powolny em 1953 também foram incluídas na exposição.Para a americana Sarah Churchwell, que leciona na University of East Anglia, na Inglaterra, a inocente Norma Jeane, o suposto "eu verdadeiro" que se tornou Marilyn Monroe, um produto da indústria cinematográfica hollywoodiana, é em si também um estereótipo. Estudando as diferentes imagens projetadas pelas biografias de Marilyn - de boneca a megera nos anos 50, de vítima do patriarcado sob a visão feminista dos anos 70 e 80, e ultimamente a de uma loura nada burra, que soube usar sua beleza muito bem - Sarah demonstra o poder e o significado social do próprio mito.

Agencia Estado,

09 de março de 2005 | 11h39

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