Pierluigi/Divulgação
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Exposição dedicada a Fellini vai além de sua filmografia

'Tutto Fellini', que abre neste sábado, no Rio, apresenta fotografias de cena e de bastidores, projeções, desenhos, reproduções de jornal e vinte filmes do cineasta

Roberta Pennafort , O Estado de S.Paulo

10 de março de 2012 | 03h00

RIO DE JANEIRO - Em 1958, dois anos antes da ruidosa estreia de A Doce Vida, a modelo sueca Anita Ekberg chamou a atenção de Federico Fellini ao sair numa revista num flagrante fotográfico banhando-se na Fontana di Trevi. O diretor ficou mesmerizado e, para seu filme, escalou Anita, escreveu a cena do banho noturno no famoso ponto turístico de Roma e batizou - para sempre, sem saber - a figura do fotógrafo de celebridades de paparazzo. 

O strip tease no fim de A Doce Vida também foi inspirado numa cena da vida real. Surrealista, no entanto, deu-se numa festa na trattoria romana Il Rugantino. A protagonista era uma penetra, uma dançarina que, em busca de fama, pôs-se a dançar sensualmente e a se despir no meio do salão. Mais uma vez, fotógrafos, e outra página de jornal.

As curiosas histórias por trás dos clássicos; os primeiros anos de vivência artística, como jovem cartunista, nos anos 30, recém-chegado da Rimini natal à capital italiana; os primórdios de sua filmografia, nos anos 50 (Mulheres e Luzes, que codirigiu, e Abismo de Um Sonho, considerados ambos pré-fellinianos, no que diz respeito à estética); o uso de passagens da própria biografia em sua arte (como em Amarcord).

E também as mulheres de sua vida - Anita e Anna Magnani, musas, Giulietta Masina, esposa de 1943 até a morte, e atriz favorita; os anos nos estúdios da mítica Cinecittà; a parceira com os roteiristas Ennio Flaiano e Tullio Pinelli (A Doce Vida, Noites de Cabíria, Os Boas Vidas, 8 1/2, A Estrada da Vida), e com o compositor de trilhas Nino Rota - a vida e obra de Fellini (1920-1993) ocupam todos os espaços do centro cultural do Instituto Moreira Salles, no Rio, a partir de hoje. 

A exposição Tutto Fellini toma seis salas, galeria e corredor, com fotografias de cena e de bastidores, projeções, desenhos, reproduções de jornal e vinte filmes. O número de itens, trazidos de instituições na Itália, na Suíça e na França, chega a 400. A parceria é do IMS e do Sesc, no escopo do Momento Itália/Brasil. Em julho, a mostra, que já circulou pela Europa, chega ao Sesc Pinheiros, em São Paulo.

Uma mostra semanal de filmes (sempre às sextas-feiras, às 14 horas) acompanha a exposição. Abrange dos primórdios à maturidade da poética de Fellini, todos com comentários do crítico José Carlos Avellar, curador da programação do cinema do IMS. 

“É muito importante continuar discutindo a obra e assistir à parte menos conhecida, como Ginger e Fred (1986) e Entrevista (87). Fazendo isso, fica fácil perceber que Fellini estava sempre fazendo o mesmo filme, o que é um grande elogio”, diz o curador, o francês Sam Stourdzé, diretor do Musée d’Elysée, em Lausanne, na Suíça, dedicado à fotografia. 

“Felliniano” virou sinônimo de barroco, exagerado, exuberante. E a exposição mostra excessos da gastronomia italiana, as obsessões de Fellini (a cidade de Roma, o fazer cinematográfico, a cultura popular). Uma vitrine vai exibir o Livro dos Sonhos, reunião de desenhos que ele fez entre os anos 60 e 90 a partir das imagens que vinham à mente enquanto dormia. 

“São lindíssimos, no traço e no colorido. E ele ainda escrevia uma transcrição do sonho (que está traduzida para o português), o que nos permite ver o início do processo criativo, do mundo onírico levado para os filmes”, conta Priscila Sacchettin, assistente de curadoria do IMS.

O público curioso vai ver os testes de figurino de Giulietta em Noites de Cabíria e as notícias que renderam as ideias para A Doce Vida (a abertura, o voo de helicóptero de um Cristo de braços abertos seguido por Marcello Mastroianni e Walter “Paparazzo” Santesso, também imitou a realidade). 

TUTTO FELLINI

Instituto Moreira Salles - RJ. Rua Marquês de São Vicente 476, Gávea. Telefone (21) 3284-7400. Terça à sexta das 13h às 20h. Sab, dom e feriados das 11h às 20h. Entrada franca. Até 17/6

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