Sebastião Salgado
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Exposição de Sebastião Salgado na Itália alerta sobre ameaças à Amazônia

Fotógrafo brasileiro passou os últimos sete anos vivendo em meio a 12 tribos enquanto desenvolvia o projeto

Antonio Denti, REUTERS

24 de setembro de 2019 | 07h46

Centenas de pessoas enfrentaram a chuva na noite deste domingo, 22, para ver fotos da Amazônia feitas pelo aclamado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, expostas na Basílica de São Francisco de Assis, na região italiana da Úmbria, e ter a chance de ouví-lo falar sobre as ameaças enfrentadas pela região.

As imagens em preto e branco mostram povos nativos da Amazônia, enquanto músicas clássicas do compositor Heitor Villa-Lobos tocavam ao fundo, no que quase parecia um réquiem para as partes da Amazônia que já foram perdidas pelo desmatamento e pela mineração.

Dirigindo-se ao público, Salgado disse que aquele é “o modelo econômico predatório que está em todo lugar do mundo. Nosso sistema de agricultura, nosso sistema industrial, nosso sistema de consumo que causaram a destruição da Amazônia”.

O evento ocorreu na cidade de Assis na véspera de uma cúpula climática da Organização das Nações Unidas (ONU) e foi um de muitos ao redor do mundo para atrair atenção às mudanças climáticas e a outras questões ambientais. São Francisco de Assis escreveu o Cântico do Irmão Sol, uma oração em louvor à criação que se refere ao irmão Sol e à irmã Lua e é uma referência para ambientalistas católicos e não católicos.

Salgado disse que tem trabalhado nesse projeto fotográfico ao longo dos últimos sete anos e viveu em meio a 12 tribos na Amazônia.

O fotógrafo afirmou que o presidente Jair Bolsonaro não pode ser completamente responsabilizado pela destruição da floresta amazônica, que começou há décadas, mas acusou Bolsonaro por políticas de exploração que, segundo o fotógrafo, aceleraram o processo.

Padres católicos da Amazônia devem se reunir no Vaticano no próximo mês para debater o futuro da Igreja na região. Salgado saudou o encontro e disse que os religiosos deveriam discutir formas de introduzir um modelo econômico duradouro para proteger a floresta tropical. “Caso contrário, ela nunca será protegida. Nós vamos perder a floresta. Pode ser em 10 anos ou pode ser em 20 anos, mas vamos perdê-la”, disse.

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