Exposição de arte naïf em SP

Quando chegou ao País há 25 anos, o francês Jacques Ardies, apaixonado pela arte naif brasileira, decidiu garimpar legítimos talentos do gênero para expô-los. Montou sua galeria em 1980 e hoje comemora 20 anos de atividade com uma exposição que apresenta os 20 artistas naifs com quem tem trabalhado. Serão 40 obras ao todo, duas de cada artista - entre eles, José Antonio da Silva, Ivonaldo, Isabel de Jesus, Ana Maria Dias e Rodolfo Tamanini Netto. Para os apreciadores da arte naif, a mostra servirá como aperitivo para a Bienal Naifs do Brasil, que começa em 22 de setembro, no Sesc Piracicaba, no interior de São Paulo.Segundo Ardies, descobrir talentosos pintores naif não é tarefa fácil. Em geral autodidatas, os artistas tidos como naif nem sempre são originais e talentosos. "Tem que ter o perfume da inocência, mas tem que sair do óbvio", afirma Ardies. Concorda com ele o professor de história da arte Geraldo Edson de Andrade. Mais radical, ele não considera naif a pintura executada por artista que teve formação intelectualizada. "Cada um representa seu mundo. Não dá para representar o popular não sendo um popular", afirma o professor, que considera os pintores Cardosinho (1861-1947) e Heitor dos Prazeres (1898-1966) os maiores do gênero. Natural, primitivo Naif, que vem do latim nativus, significa natural, primitivo. Nas artes plásticas, o termo naif surgiu pela primeira vez em 1890 para caracterizar a pintura do francês Henry Rousseau, homem de pouca instrução, autodidata em pintura. O título, pejorativo, dirigia-se tanto à personalidade do artista como a sua obra. No Brasil, além de Cardosinho e Heitor dos Prazeres, destaca-se a produção de Chico da Silva (1910-1985).Galeria Jacques Ardies - (R. do Livramento, 221, tel.: 3884-2916). Das 10 às 16 h. Até 9 de setembro, com entrada franca.

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