Exposição com coletânea da obra de Plínio Marcos começa em São Paulo

Plínio Marcos não escondia o desejo de reunir toda a sua obra, desde as peças teatrais até relíquias que lembrem suas atuações no palco e televisão. O dramaturgo morreu em novembro do ano passado, mas um grupo de amigos conseguiu realizar sua vontade: às 20h de hoje, será aberta a exposição "Plínio Marcos, um Grito de Liberdade - Uma Exposição Quase Marginal", no Memorial da América Latina.Serão apresentados textos escritos por e sobre o dramaturgo, como romances, contos, crônicas, artigos, obras censuradas e sua luta contra as proibições, além de referências às suas participações na televisão. Depois da abertura, será apresentado o recital Prisioneiro de uma Canção, às 21h, com poesias e letras do dramaturgo que seu filho, Léo Lama, musicou. E, às 22h30, a escola de samba Mocidade Independente de Padre Paulo, de Santos, o time de futebol mirim do Jabaquara e atores do teatro santista fazem uma homenagem, interpretando trechos de obras e de um samba composto especialmente para a exposição."É um grande trabalho de amigos entusiasmados em recuperar artigos históricos e não permitir que sua memória seja perdida", conta a jornalista Vera Artaxo, última mulher com quem Plínio viveu.E foi justamente no apartamento em que o casal morou, no bairro de Higienópolis, que o movimento começou. Um grupo de pesquisadores catalogou todos os documentos que estavam guardados, descobrindo preciosidades, como uma foto em que Plínio posa ao lado de outro grande dramaturgo, Nélson Rodrigues. Com curadoria geral de Tanah Corrêa e curadoria de projeto e assessoria do cenógrafo J. C. Serroni, a exposição vai retratar os principais momentos da obra e também da vida do dramaturgo.Já na entrada, em um dos túneis de acesso do Memorial, serão instaladas faixas com os dizeres mais famosos de Plínio. "Descobrimos que o lugar normalemente é rodeado por camelôs, que expõem suas mercadorias, o que é sensacional", afirma Serroni. "Trata-se de um ambiente que lembra muito bem o universo do dramaturgo." Assim, em meio aos ambulantes, serão instaladas barracas vendendo livros, exatamente como Plínio fazia. Haverá também alto-falantes que reproduzirão falas do autor, extraídas de entrevistas gravadas.Censura - Ao entrar, o visitante estará em um túnel, onde estão colocadas instalações com as principais obras teatrais. Com a coordenação do diretor Marco Antônio Rodrigues, estarão expostos cenários, fotos, cartazes e vestuário das peças que consagraram Plínio, como Barrela, Navalha na Carne, Dois Perdidos Numa Noite Suja, Abajur Lilás e outras. "A lembrança é uma forma de resistência à censura que o trabalho ainda continua sofrendo; dessa vez, dos investidores", observa Rodrigues.O último módulo desse corredor é o que lembra a fase circense do escritor. Um palco foi instalado para performances e leituras especialmente de palhaços, com uma arquibancada improvisada na escada para o público.A partir do palco, chega-se ao último bloco, em que estão agrupadas as instalações finais, dividindo sua obra por seções. "A idéia foi criar pequenos espaços que recriassem a atmosfera da vida do artista naquele momento", explica Serroni.Em uma delas, estarão fotos e cartazes que lembram as participações de Plínio na televisão, especialmente na novela Beto Rockfeler, em que contracenou com Luís Gustavo, na década de 60. A curadoria é do ator, escritor e diretor Oswaldo Mendes, que também está começando a escrever a biografia do dramaturgo. Mendes é responsável também pela curadoria da dança.O esoterismo e a religião, que influenciaram decisivamente os últimos anos de Plínio, ocupam outra instalação. Finalmente, haverá ainda uma curiosa reprodução do Gigetto, cantina do Bexiga em que o dramaturgo teve um espaço cativo a partir de 1994. O público poderá ocupar as mesas e o balcão de bebidas, em que serão servidos drinques, café e até a "Galinha a Plínio Marcos", prato criado por ele. "Esperamos ter também, às sextas-feiras, apresentação de música ao vivo nesse espaço", avisa Serroni.Outros eventos paralelos estão programados, como leituras dramáticas, exibição de fotos documentais e apresentações de peças. Com entrada gratuita, a exposição vai até 28 janeiro, quando inicia viagem para outras cidades - no Rio, vai ocupar um espaço da Funarte. O objetivo, depois do giro é fixá-la em Santos, na forma de um museu permanente.Serviço - Homenagem a Plínio Marcos. Espetáculo Prisioneiro de uma Canção, de Plínio Marcos e Léo Lama. Direção Léo Lama. Amanhã, às 21h. Grátis. Memorial da América Latina. Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664, tel. 3823-9611

Agencia Estado,

11 de dezembro de 2000 | 01h22

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