Exposição celebra a intensa trajetória de Dina Sfat

Ela viveu 50 anos intensamente e nunca se esquivou de dizer abertamente o que pensava. Dona de uma personalidade forte, Dina Sfat foi um marco dos palcos e telas brasileiros, um mito, uma musa. Os 30 anos de teatro e televisão da atriz - morta em 1989 em conseqüência de um câncer - compõem a exposição Dina Sfat: Retratos da Atriz, que será aberta amanhã, no Salão dos Arcos do Teatro Municipal.Com curadoria do diretor e produtor teatral Antonio Gilberto, a mostra resgata a carreira de Dina e retrata sua trajetória por meio de fotos, vídeos, figurinos e entrevistas. "A idéia da exposição surgiu da precariedade de nossa memória cultural, principalmente com relação à arte", diz Gilberto, que iniciou profissionalmente sua carreira no Rio de Janeiro como assistente de direção de Domingos Oliveira, exatamente na Companhia da atriz Dina Sfat. Lá, participou como assistente de direção dos dois últimos espetáculos dela: Irresistível Aventura e Ninguém Paga, Ninguém Paga."Minha preocupação com a memória do teatro, mais a proximidade de dez anos com Dina, me levou a pesquisar, durante um ano e meio, imagens de sua carreira para montar a exposição", afirma o diretor - que contou com uma bolsa da prefeitura do Rio para realizar o trabalho.A pesquisa de fotos de todos os personagens que ela interpretou profissionalmente não foi simples. "Muita coisa não existia, como alguns Casos Especiais, que fez na Globo. Foi preciso reproduzir takes do vídeo, mas o resultado compensou: todos os personagens dela estão lá." Dina Sfat começou fazendo teatro no Arena, em 1962. Depois passou para o cinema. As seqüências memoráveis em Macunaima (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, revelaram uma ótima atriz e uma mulher como poucas. O prazer em trabalhar em algo "visto por milhares de pessoas" a levou à TV, onde fez mais de duas dezenas de trabalhos, como as novelas Gabriela (1975), Saramandaia (1976) e O Astro (1977), entre outras, além de minisséries e casos especiais. No total foram dezenove filmes, vinte peças, dezesseis novelas, catorze especiais, duas minisséries e um documentário.A exposição traz uma imagem de cada trabalho que ela fez, com uma legenda repleta de informações, tudo para situar o visitante - já que Dina passou as décadas de 60, 70 e 80 fazendo sucesso. "Não é só uma homenagem a uma atriz que teve grande destaque, mas a uma profissional que realizou trabalhos que foram muito importantes para a época. Quero mostra isso para essa geração que não conheceu Dina", avisa Gilberto.Sem papas na língua, Dina Sfat era especialista em frases de efeito e atitudes corajosas. Em 1981, durante o Canal Livre, da TV Bandeirantes, como uma das convidadas para entrevistar o general Dilermando Monteiro, ela confessou ter medo de militares. A declaração teve imensa reprecussão e Dina Sfat acabou eleita musa do verão, aos 42 anos de idade. Por 17 anos, foi casada com o ator Paulo José, com quem teve três filhas: Bel Kutner (também atriz), Ana e Clara.A exposição - montada originalmente com patrocínio do Festival de Curitiba em 1998 - ficou em cartaz no Rio por dois meses e meio em 1999 e traz uma coleção de imagens dessa vida nos palcos e fora dele, com fotografias de cenas de peças como O Rei da Vela, Dorotéia Vai à Guerra, O Colecionador, Seis Personagens à Procura de Um Autor e As Criadas.Seu lado de cidadã, de mulher forte e atuante na sociedade brasileira, aparece na exposição em entrevistas projetadas ininterruptamente em um monitor. São mostrados programas como O Advogado do Diabo, que traz uma entrevista dada por ela dois meses antes de morrer, e Papo com Ziraldo, entrevista de uma hora datada de 87. Também são exibidos trechos de novelas, de filmes e depoimentos de colegas. Os figurinos usados por Dina Sfat em seu último espetáculo Irresistível Aventura, criados por Rosa Magalhães e que ganharam o Prêmio Mambembe em 84 de melhor figurino, também podem ser vistos na mostra.Antonio Gilberto promete continuar sua batalha pela memória do teatro, e já tem até um novo projeto na manga. "Quero montar agora uma exposição sobre a vida e a obra de Ziembinski, que foi um grande mestre para o teatro nacional."Dina Sfat: Retratos da Atriz. Abre amanhã, dia 19 de fevereiro, com coquetel às 19 h, no Salão dos Arcos do Teatro Municipal (Pça. Ramos de Azevedo, s/nº, tel. 223-3022). Até 21 de abril, de segunda a sexta-feira das 13h às 18h (em dia de espetáculo a partir das 20h). Entrada franca.

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