Explosions in the Sky e o cinema sonoro

Munaf Rayani, do cultuado grupo, fala sobre trilhas e sua influência

ROBERTO NASCIMENTO , O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2013 | 02h10

Donos de uma sonoridade cinematográfica, que destila melancolia etérea em divagações instrumentais, o Explosions in the Sky venceu um merecido status cult entre fãs de indie rock na última década. São heróis locais em Austin, Texas, a nova meca do indie; expoentes de uma receita emotiva de pós rock, um som que, na linhagem de Mogwai, é copiado tanto por bandas menos hábeis como por empresas de publicidade, nos dias de hoje. Entretanto, poucos tocam com a sinceridade do Explosions in the Sky.

Já no sexto álbum desde 2000, a banda mantém o nível de seus épicos guitarrísticos, e detém o respeito inoxidável de uma legião de fãs que leva vídeos do grupo para além da marca de um milhão de hits, no YouTube. O contingente brasileiro deste público já esgotou os ingressos para os dois shows que a banda faz em São Paulo, hoje e amanhã, no Sesc Belenzinho. De Austin, por telefone, Munaf Rayani falou ao Estado sobre as cópias, e os flertes naturais do Explosions in the Sky com trilhas sonoras.

O estilo de vocês se tornou mainstream, copiado por bandas e compositores de jingles que procuram um som jovem e emotivo. O que pensa disso?

Percebemos isso cada vez mais durante os anos. Nossos amigos sempre comentam as cópias. Mas depois de um tempo, começamos a perceber que a imitação é a maior forma de elogio. É um feito espetacular ter construído um som que vaza pelo inconsciente coletivo da música mundial. O que nos inspirou, agora inspira os outros, através de nós. É bonito isso.

A música de vocês, por ser esticada e instrumental, é propícia a trilhas sonoras. Como alternam entre composições para filmes e para a banda?

O novo trabalho para cinema chama-se Prince Avalanche, do diretor David Gordon Green (de Pineapple Express). Quando ele nos contratou, por exemplo, já havia uma diretriz para a música. Compomos pensando em um personagem, em uma emoção. Quando fazemos a nossa própria música, não há parâmetros ou divisas. Temos que garimpar um infinito musical antes de encontrar o som certo.

Há influências de cinema na música de vocês?

Claro, as influências vem de todo o lugar, tanto de bandas como Fugazi, quanto de certos cineastas e autores, pessoas que conseguem contar histórias em um tom mágico, como David Gordon Green, ou Terrence Malick, que é uma grande inspiração. Aperte pause em qualquer um de seus filmes e você vai encontrar uma imagem estonteante, de tirar o fôlego: a cor do céu, a expressão de um personagem... Mesmo assim, as nossas maiores influências são nossas famílias e amigos.

Como vê a popularização do indie e do festival South by Southwest em Austin?

É uma loucura. Nos afastamos por uns anos, depois voltamos. Mas não é a mesma coisa. Tocamos lá nos ano 90. Agora, aquilo que tinha um poder verdadeiro, virou uma mistura horrível de outdoors e publicidade. . É triste ver algo tão querido virar algo corrompido.

Para uma banda instrumental, seis discos em uma década é um número pequeno. Há um controle de qualidade?

Sim. É intenso. Se fossemos colecionar todos os esboços, teríamos material para fazer vinte discos. Mas seriam medíocres. Lançamos apenas aquilo em que acreditamos piamente.

MUNAF RAYANI

MÚSICO

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