Leonardo Soares/AE
Leonardo Soares/AE

Explicando a gestão

Em carta enviada ao Caderno 2, o secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo, faz considerações sobre matéria publicada na quinta, sobre sua pasta

, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2011 | 00h00

A entrevista veiculada na quinta-feira no Estado confunde rigor na aplicação de recursos públicos com ingerência política, como foi mencionado no título. As "apurações" contêm inverdades que precisam ser corrigidas de imediato a fim de informar o seu leitor sobre fatos que foram retratados de forma equivocada e que privilegiaram fontes não identificadas em detrimento da verdade:

Museu Afro

Ao citar os nomes dos novos conselheiros do museu, o jornal desconsiderou o currículo deles, dando a entender que houve motivação política, além de suprimir um dado relevante: todos os mencionados participaram, desde o início, do projeto da criação do museu.

Festival de Campos/Osesp

É uma leviandade afirmar que a gestão do Festival de Inverno de Campos do Jordão seria prejudicial às atividades da Osesp. Caso assuma esse novo projeto, a orquestra contratará uma equipe de gestão qualificada e específica para o Festival. Isso não tem qualquer ligação com ensaios e apresentações dos músicos que continuariam a se dedicar exclusivamente à orquestra.

Ainda sobre a Osesp, o Estado não mencionou que os ensaios didáticos são apenas uma parte do programa de formação da orquestra e que a meta desse programa leva em conta outras atividades, como por exemplo, a formação de professores. Foi omitido o fato de que todas essas outras atividades superaram as metas estipuladas no contrato de gestão. As informações do Festival de Campos também estão distorcidas. O investimento feito pela Secretaria no evento se manteve o mesmo nos últimos três anos, num total de R$ 1 milhão anual. Comparar a dimensão do Festival com o ano passado é incorreto porque se tratou de um ano atípico, se levarmos em conta o histórico do Festival. Vale lembrar que, pela primeira vez, houve concertos itinerantes da orquestra, o que acarretou na expansão do número de cidades e público.

MAC

A informação sobre minha reunião com o reitor da USP não foi apurada pelo jornal. Esse dado foi passado por mim mesmo durante a entrevista, de forma clara e transparente, justamente para não dar espaço a especulações que acabaram sendo feitas pelo jornal.

Complexo Cultural Luz

É incorreto inferir que houve corte no Complexo Cultural Luz. O que a reportagem chama erroneamente de "projeto", se refere, na verdade, a estudos iniciais apresentados pela empresa Theatre Project Consultants. Por qual razão esse primeiro programa deveria ser aceito pela Secretaria, sem alterações? Por que são ingleses? Ora, o projeto em si está em elaboração, e será entregue no início do próximo ano. O jornal esquece de dizer que o redimensionamento em curso está sendo feito pela TPC com a participação direta de seus principais inquilinos: a São Paulo Companhia de Dança e a Escola Tom Jobim, e não está concluído.

Escola Tom Jobim

Não há como comparar o espaço improvisado que a Tom Jobim utiliza atualmente - de um antigo hotel na Luz -, com um prédio projetado pelo Herzog & de Meuron, construído sob medida, com utilização personalizada e exclusiva para a escola.

MIS

A psicóloga Eide Feldon - fonte única da reportagem sobre o MIS e ex-presidente do Conselho - erra ao afirmar que não houve descumprimento de metas. Citarei apenas duas: em 2010, o número de visitantes deveria ter sido de 90 mil pessoas, mas alcançou pouco mais de 60 mil, ou seja, 1/3 a menos do estabelecido no contrato de gestão. Também nunca foi enviado à Secretaria o plano de trabalho adequado às regras estabelecidas no contrato do MIS durante sua gestão. A título de ilustração, sabendo que tratamos de públicos diferentes, o MIS recebeu R$ 9,5 milhões em 2010. O Museu da Língua Portuguesa teve um orçamento de R$ 3,6 milhões para o mesmo período e foi visitado por 380 mil pessoas. Portanto, afirmar que a gestão não precisava ser revista é descabido. Acrescento que foram os próprios conselheiros que, por meio de ofícios enviados à Secretaria, pediram reiteradas vezes a substituição de sua presidência. Ademais, a reportagem não apurou que durante 2011 o conselho atuou com número de integrantes inferior ao estabelecido por lei, mais uma de suas irregularidades. Insisto e não tenho dúvidas: as alterações no MIS foram feitas a bem do interesse público.

Conselheiros Osesp

Quanto à mudança de conselheiros, o jornal deixou de mencionar que a troca está prevista em contrato, além do que é errada a informação de que o mandato do atual presidente Fernando Henrique Cardoso está prestes a ser encerrado.

Reitero que, enquanto secretário de Estado da Cultura de São Paulo, é de minha inteira responsabilidade garantir o uso adequado dos recursos públicos destinados à pasta. A própria fonte do jornal, o professor Mario Engler, esclarece que sempre que houver um "cenário de descumprimento reiterado das obrigações", o Estado pode e deve interferir nas decisões de uma Organização Social que administra recursos públicos. Portanto, no caso, trata-se de dinheiro dos contribuintes e não pouparei esforços no sentido de defender o interesse público e maximizar as nossas ações levando cultura de qualidade a um número maior possível de pessoas. Mesmo que isto desagrade àqueles que tiveram seus interesses pessoais contrariados.

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