Experts da moda decretam fim da tendência, mas ela ainda resiste

A tendência está morta, afirmam osespecialistas da moda. Viva a tendência, respondem oscompradores. Entre o sim e o não, o fato é que os corredores do SãoPaulo Fashion Week, que começou na quarta-feira, funcionam comoum termômetro das criações que, exibidas há seis meses, pegaramentre as consumidoras. Tendência, no jargão da moda, é uma idéia que está no ar,muitas vezes soprada da Europa, que aparece nas passarelas eque toma as lojas nos meses seguintes. São as apostas dosestilistas para uma época do ano. A calça de cintura alta, por exemplo, era uma tendência quedemorou algumas estações a vingar, devido ao apego dasbrasileiras às calças de cintura baixa. Hoje, no entanto, é possível ver a peça em algumas poucasmulheres -- todas magras, diga-se de passagem. E, quando todomundo estiver usando, a cintura alta estará no seu auge e,sendo assim, já fora da moda entre os entendidos. Mas, falar de tendências e de todo seu processo virou tabuno SPFW. "Tendência, eu não gosto dessa palavra", diz ReginaGuerreiro, consultora e editora de moda. "Porque tendência é uma palavra que não existe mais. Apartir do momento que você tem mais de 800 desfiles portemporada, do mundo inteiro, cada estilista fala o que ele temna cabeça e a mulher fica louquinha, perdida no caos." Guerreiro ainda usa a palavra impronunciável, mas secorrige, trocando o termo obsoleto por "pistas". "Mas as pistasque eu acho que vão pegar é uma boa jaqueta perfecto, é o maismoderno", disse, bem-humorada, referindo-se a jaquetas justasgeralmente feitas de couro. FIM DAS ESTAÇÕES? Paulo Borges, diretor do evento, vai além e mata também asestações. "A criação hoje é muito efêmera, cada vez maisrápida. Essas nomenclaturas de inverno e verão não existemmais, estão caindo em desuso", afirma. "Ninguém mais compra uma roupa porque é verão ou inverno.Compra porque é uma idéia nova, uma imagem nova", diz Borges."Até porque a tecnologia aplicada ao produto já faz essaadequação de temperatura. Você pode usar uma lã fria no verão,ou um tecido térmico levíssimo no inverno." Apesar do discurso, a prática ainda é outra. No primeirodia do evento, os corredores da Bienal, no Parque doIbirapuera, estavam repletos de novas idéias, mas do eventoanterior. Bermudas sociais com salto alto, vestidos marcados porgrandes cintos, óculos tipo abelha e as maxibolsas prateadasnão deixam omitir a "tendência" -- ou seria falta decriatividade? Para Regina Guerreiro, muitas vezes a brasileira interpretaa moda de forma errada e "o que pega na rua é o que não deveriapegar", afirma, lembrando o horror que tem pela bermuda comsalto e as sandálias "gladiadoras", que chegam até o tornozelo. Seja o que for, melhor adaptar o vocabulário. "Eu sou a pessoa errada para falar de tendência", respondeuo estilista Fause Haten, ao ser perguntado sobre "aquilo". "Nãoacredito nisso. Mas posso te falar daquilo que eu estoupropondo."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.