EXPERIÊNCIAS CENOGRÁFICAS DE RIPPER

Em 1971, Luiz Carlos Ripper decidiu romper com a fronteira entre palco e plateia. Juntou ator com espectador e transformou a dramaturgia cênica de Hoje é Dia de Rock, um fenômeno teatral que arrebatou fãs no Teatro Ipanema, no Rio. Por esta e outras experimentações, era considerado um dos grandes representantes da vanguarda artística carioca dos anos 1970.

HELOISA ARUTH STURM / RIO, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2013 | 10h58

Para homenagear o cenógrafo e figurinista falecido em 1996, aos 53 anos, e celebrar os seus 70 anos de nascimento, o Centro Cultural Correios inaugura hoje, em sua sede no centro do Rio, a exposição A Mão Livre de Luiz Carlos Ripper, uma mostra retrospectiva que traz um acervo inédito do artista. São desenhos, croquis, e maquetes de seus principais trabalhos, como Torre de Babel, do espanhol Fernando Arrabal, montado em 1977 no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, Avatar, de Paulo Affonso Grisolli, encenado no Museu de Arte Moderna do Rio três anos antes, e A China é Azul, de José Wilker, pelo qual ganhou o Molière de melhor figurinista.

Dedicado à pesquisa histórica e artística, Ripper procurava democratizar o conhecimento e transformava seus processos criativos em verdadeiras oficinas de formação artística. A exposição traz não só o resultado final de suas experiências cênicas, mas também explora o modo como se desenvolvem ainda no plano do pensamento e no processo inicial dos bastidores.

Ripper transitava com desenvoltura entre o teatro e o cinema, e a mostra destaca também essa vertente do multifacetado artista, trazendo fragmentos de filmes que levam sua cenografia e figurinos, como Pindorama, de Arnaldo Jabor, Quilombo e Xica da Silva, de Cacá Diegues.

"Essa preocupação de extrair da cultura afro-ameríndia a nossa identidade é uma das obsessões que ele tem ao longo da vida. A imaginação dele sempre valoriza ao extremo as forças aborígines e sobretudo negras", afirma a curadora Lidia Kosovski, cenógrafa e professora de teatro da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), que contou com a ajuda da pesquisadora Heloisa Lyra para selecionar, dentre os mais de 12 mil itens do acervo pessoal do artista, as peças que estão em exibição. A exposição é gratuita e vai até o dia 21 de abril.

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