Expediente sem risco de morte não é trabalho

Dave Salmoni fala sobre dia a dia com animais perigosos e o prazer de encarar dificuldades em 'Ilhas Selvagens'

João Fernando, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2014 | 02h13

Saber que o filho precisa encarar tubarões, ursos e outros animais selvagens diariamente poderia causar pavor em qualquer mãe ou pai, mas a situação não assusta a família de Dave Salmoni. Apresentador do Ilhas Selvagens, que estreia domingo, às 21h30, no Discovery, em que percorre regiões inóspitas do planeta para mostrar como vivem bichos que não são muito dóceis com os humanos, ele garante não deixar mais ninguém preocupado em casa.

"Quando estou de saída, eles me dão um tapinha nas costas e me desejam boa sorte. Eles têm orgulho do fato de eu fazer o que gosto. Porém, quando eu entro em um relacionamento ou estou saindo com alguém, é bem diferente. Elas pensam no perigo toda vez que estou de partida. Isso requer algumas conversas", contou ao Estado durante teleconferência com jornalistas da América Latina.

Tranquilo em relação aos riscos que corre, o canadense de 38 anos confessa ter tremido na base ao ficar diante de tubarões em Ragiroa, no sul do Pacífico. "É sempre o momento em que fico mais nervoso, pois sou um bom mergulhador, não um ótimo. Aquele era um lugar que exigia muita técnica. E pense no fato de estar cercado por tubarões."

Na hora, ele diz pensar em todas as possibilidades de erro. "Ficamos em um nível de profundidade que eu nunca havia estado antes. Percebi que em determinada profundidade, se eu fosse mordido, teria de ficar debaixo d'água. Se eu estivesse sangrando e subisse rápido até a superfície, eu morreria", reconhece. Além dos predadores com dentes afiados, Salmoni relembra um outro agravante da gravação no mar. "Quando nadei próximo a um tubarão baleia, havia milhares de águas vivas. Eu estava naquela nuvem de águas vivas para que o cinegrafista fizesse uma bela imagem. Entretanto, meu corpo estava cheio delas."

O canadense afirma ter as situações sempre sob controle. "Em alguns lugares no meio da selva, você pode se perder facilmente, pois o GPS não funciona direito. Caso fiquemos perdidos, temos planos de sobrevivência para que continuemos vivos, enquanto procuram por nós", explica.

Salmoni brinca que a emissora não facilita sua vida. "Tenho quase certeza de que os cabeças do Discovery, quando estavam planejando o programa, decidiram que essa seria a coisa mais difícil que já fiz. Dormi e viajei em condições que nenhum ser humanos deveria."

Treinador de animais no passado, há 15 anos um leão atacou o apresentador. "Foi bem ruim. Também tive uma lesão na medula por causa de um casal de tigres, o que me deixou fora de combate por um ano. Foram as únicas vezes que eu fui mais ferido", conta. Salmoni, porém, não está nem aí com os perigos. "No meu trabalho, uma mordida aqui, um arranhão acolá ou uma contusão não contam como machucados."

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