Executivos escolhem poderosos como companhia em hotel temático

"E com quem o senhor gostaria depassar a noite", pergunta a recepcionista do hotel Mr.President, em Belgrado. Mas não é o que você está pensando. Os hóspedes podem escolher entre Fidel Castro, MargaretThatcher, Adolf Hitler ou qualquer um entre 45 líderes mundiaiscujos retratos enfeitam os quartos temáticos do hotel. "Ficamos pensando: o que um executivo maduro mais quer?Poder, é claro. Então decidimos oferecer a companhia daspessoas mais poderosas do mundo", diz o dono do hotel, DusanZabunovic. Silenciosos e austeros, os retratos são a companhiaperfeita para os executivos ocupadíssimos que compõem a maiorparte da clientela do hotel. "Normalmente, numa viagem denegócio, a pessoa está sozinha", diz Zabunovic. "É legal quandotem alguém esperando você, sempre pronto a escutar, mas sem teaborrecer com uma resposta." O grupo de poderosos não obedece nenhum padrão ideológiconem geográfico. Os hóspedes podem escolher Josef Stálin ouVladimir Putin; Abraham Lincoln, Winston Churchill ou SilvioBerlusconi. Margaret Thatcher é a única mulher. O quarto com o retratodela esteve sempre reservado desde que o hotel abriu, emnovembro. A decoração temática, porém, é sutil, com leves toques querefletem a essência de cada líder. O quarto Fidel Castro é omenor, apenas uma cama e uma escrivaninha. A suíte Hitler ésombria, com linhas retas e paredes escuras, e já tem reservasaté o ano que vem. Houve quem protestasse contra a presença do ditador alemão,mas o dono do hotel não concorda com as reclamações. "Todos osfilmes sobre Hitler deveriam ser proibidos, todos os livrosescolares que o mencionam ser queimados? Ele e seus crimes nãopodem ser esquecidos, não podemos fingir que não existiram",disse Zabunovic. Mas há a possibilidade de transformar o quarto Hitler em umaposento "Dayton", lembrando o nome da cidade norte-americanaonde se encontraram os presidentes Slobodan Milosevic, FranjoTudjman e Alija Izetbegovic, respectivamente sérvio, croata ebósnio, para negociar a paz na Bósnia em 1995. O maior quarto, uma cobertura, leva o nome do ditadoriugoslavo Josip Broz Tito.

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