Ex-porta-voz diz que Bush escondeu a verdade sobre Iraque

Em um novo livro que promete causarpolêmica, Scott McClellan, ex-porta-voz do governo dos EUA,acusou o presidente George W. Bush e seus principais assessoresde esconder a verdade para defender a necessidade da guerracontra o Iraque. McClellan, o primeiro membro do governo Bush a escrever umlivro criticando o dirigente (que é texano como oex-porta-voz), atraiu na quarta-feira críticas de seusex-colegas da Casa Branca. Eles questionaram porque o porta-vozcontinuou no cargo se tinha essas opiniões, até agoradesconhecidas. "Se ele acredita que agradará a seus adversários, estáredondamente enganado. E, infelizmente, ele acaba de perder osúnicos amigos que tinha", afirmou Dan Bartlett, que trabalhoucomo conselheiro da Casa Branca. McClellan, no livro "What Happened -- Inside the Bush WhiteHouse and Washington's Culture of Deception" (Por dentro daCasa Branca de Bush e da cultura de logro de Washington),descreve-se como um antes admirador sincero de Bush que, porengano, viu-se ao lado da "campanha para vender a guerra" noIraque. O ex-porta-voz, que argumentou veementemente a respeito danecessidade da guerra quando falava aos microfones da CasaBranca, escreveu que a decisão de invadir o país árabe haviasido um "erro fatídico." "Segundo acredito, a guerra só deveria ser travada quandonecessária, e a guerra do Iraque não foi necessária", afirmou. DÍVIDA COM O PAI McClellan descreveu Bush como um "homem com carismapessoal, perspicácia e uma enorme habilidade política", umhomem "mais do que inteligente para ser presidente." Ao mesmotempo, o ex-porta-voz dissemina críticas ao antigo patrão nas341 páginas do livro. "O presidente tinha prometido a si mesmo que conseguiriarealizar o que seu pai não havia conseguido ao conquistar umsegundo mandato", escreveu McClellan. "E isso significava estar o tempo todo em campanha, nuncaexplicar nada, nunca desculpar-se, nunca voltar atrás.Infelizmente, essa estratégia implicou em outras consequênciasmenos justificáveis: nunca refletir, nunca reconsiderar, nuncaceder. Especialmente quando se tratava do Iraque." Em 2006, McClellan foi substituído no cargo de secretáriode imprensa da Casa Branca por Tony Snow. E Snow deu lugar aDana Perino há cerca de um ano. Perino criticou McClellan. "Scott, agora descobrimos isso, ficou desapontado com suapassagem pela Casa Branca. Para os que, como nós, lhe dávamosum apoio incondicional antes, durante e depois de seu períodocomo secretário de imprensa, isso provoca espanto. Isso étriste. Esse não é o Scott que conhecíamos", escreveu a atualporta-voz em um e-mail enviado a repórteres. "O livro, segundo o divulgado pelos meios de comunicação,foi descrito ao presidente. Não acredito que ele se manifestaráa esse respeito. Ele tem assuntos mais prementes para lidar doque fazer comentários sobre livros de ex-funcionários", disseela. Os EUA invadiram o Iraque sob a acusação de que o entãoditador iraquiano, Saddam Hussein, possuía armas de destruiçãoem massa, que nunca foram encontradas. Bush começou a defendera necessidade de invadir o território iraquiano em 2002, depoisdos ataques de 11 de setembro de 2001 contra Nova York eWashington. McClellan, em um capítulo chamado "Vendendo a Guerra,"disse que Bush e seus principais assessores não avaliaramdireito as implicações do conflito, preferindo ao invés dissodefender a necessidade da guerra manipulando a opinião pública. Segundo o ex-porta-voz, Bush e seus assessores não lançarammão de uma estratégia aberta de enganação, mas fizeram esforçospara "esconder a verdade, minorando o principal motivo parainiciar a guerra e enfatizando uma motivação menos importanteque poderia ser enfrentada de outras formas (por meio depressões diplomáticas mais intensas, por exemplo)." (Reportagem adicional de Jeremy Pelofsky e ClaudiaParsons)

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