Ex-beatle foi um alvo da fama

Mark David Chapman, o assassino de John Lennon, lembrou, em recente audiência judicial para solicitar sua liberdade condicional, que pensou em atirar contra o apresentador de TV Johnny Carson ou mesmo a atriz Elizabeth Taylor em vez do ex-Beatle. Considerou também a ex-primeira-dama dos EUA Jacqueline Kennedy Onassis.

Carolyn Thompson, AP / Buffalo, Nova York, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

A audiência ocorreu no dia 7 de setembro na prisão de Attica, na região oeste de Nova York, da qual foi divulgada, na quinta-feira, uma transcrição. Foi a sexta declaração de Chapman diante de funcionários encarregados de conceder a liberdade condicional desde que ele obteve tal direito, em 2000. Novamente, o pedido foi negado.

Em raras entrevistas à mídia, Chapman, de 55 anos, colocou Jacqueline entre suas vítimas potenciais, mas, na última conversa, disse que se lembrava apenas de Carson e Liz Taylor. "Estive pensando nisso outro dia. Sabia que provavelmente eu seria questionado sobre isso", lembrou ele, durante uma videoconferência. "Apaguei da memória outros nomes."

Chapman foi condenado inicialmente a 20 anos de prisão, mas continua preso por ter disparado cinco tiros contra Lennon, na entrada do edifício onde o músico morava, em Manhattan, em 8 de dezembro de 1980. Quatro balas foram certeiras e Chapman declarou-se culpado de assassinato não premeditado.

Ele reiterou, como fez no passado, que selecionou Lennon porque o ex-Beatle era mais acessível. "Eu tinha uma lista de pessoas e ele estava no topo por ser mais fácil." Chapman lembrou que o edifício "não era tão fechado" como outros onde viviam personalidades de sua lista.

Reagan. "Tudo o que fiz foi por mim. Se não fosse Lennon, poderia ter sido outro." Segundo entrevista publicada pela revista People em 1987, entre outras vítimas potenciais estavam Paul McCartney, o ator George C. Scott, o então governador do Havaí George Ariyosha e Ronald Reagan.

Chapman afirmou ter agido em busca de fama e notoriedade instantâneas, mas agora percebe ter tomado "uma decisão terrível ao acabar com a vida de outro ser humano por razões egoístas". "Acreditei que, ao matar Lennon, eu me converteria em alguém, mas, ao contrário, tornei-me um assassino e os assassinos não são ninguém", disse, lembrando ainda que está com boa saúde e que, na prisão, trabalha como porteiro e como recepcionista da biblioteca jurídica. Em 2012, Chapman pretende novamente requerer liberdade condicional.

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