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Ewan McGregor vive cientista rabugento no romântico 'Amor Impossível'

Filme que estreia neste fim de semana no cinema é uma adaptação do best seller de Paul Torday

PEDRO CAIADO - ESPECIAL PARA O 'ESTADO',

15 de junho de 2012 | 03h10

LONDRES - O encontro com Ewan McGregor, no luxuoso hotel Claridge's no centro de Londres, para falar sobre seu mais recente filme, Amor Impossível - comédia romântica de pequeno orçamento e de história peculiar -, que estreia hoje, se transformou em um discurso sobre sua busca por papéis maduros. Em muitos dos longas que estrelou, McGregor, que nasceu na Escócia, viveu personagens mais novos que sua idade real, certamente por seu jeito jovial, mas hoje, aos 41 anos, o ator começa a seguir a linha de personagens mais maduros. Além do burocrata em Amor Impossível, em seu próximo filme, The Impossible - com estreia prevista para dezembro no Brasil -, sobre a tragédia do tsunami de 2004, ele viverá pela primeira vez um pai de família.

Vestindo calça, blazer preto e barba por fazer, o ator de olhos extremamente azuis, conserva um ar juvenil. Ainda é possível reconhecer o garoto recém-saído da escola de drama, que tentava papéis em filmes do diretor britânico Danny Boyle. Seu primeiro foi o de um imaturo jornalista, em Cova Rasa (1994), seguido por Renton, sua estreia de peso no cinema como um viciado, em Trainspotting - Sem Limites (1996). Desde então, McGregor acumula em seu currículo uma impressionante variedade de papéis, assim como o número de colaborações com cobiçados atores e diretores, em quase 20 anos de carreira. Desde líder de banda de rock, em Velvet Goldmine, a cantor de cabaré em Moulin Rouge - Amor em Vermelho, passando por Jedi em Guerra nas Estrelas e namorado de Jim Carrey em O Golpista do Ano, a polivalência de McGregor é estimulante. "Eu interpreto personagens radicais", afirma. "Mas sempre tento trazê-los para realidade. Caso contrário, seria embaraçoso, não? Por isso, nunca me interessei por papéis de machão no cinema comercial. Eles simplesmente não me parecem reais", garante.

Em Amor Impossível, uma adaptação do livro best seller de Paul Torday, McGregor interpreta dr. Alfred Jones, um cientista do Departamento de Pesca e Agricultura britânico que é forçado a introduzir um esquema de pesca de salmão no deserto do Iêmen, a pedido de um xeque. Seu personagem mal-humorado muda quando conhece a assistente do xeque, Harriet (Emily Blunt), uma charmosa britânica que o convence a colocar em prática a ideia improvável.

"Estou sempre a procura de algo diferente. Gosto de ler roteiros e tenho a mente bastante fértil, a ponto de visualizar um filme - geralmente, meu agente não aprecia isso. Gostei da premissa do xeque que queria introduzir pesca de salmão no deserto do Iêmen. É uma história improvável. Eu interpreto Alfred, um homem reprimido, burocrático e infeliz. Por isso, tive de achar um humor certo para ele", diz. "Há uma sátira política bem interessante neste filme também."

McGregor, que começou a ter hobbies após fazer alguns filmes, confessa que pescaria não é um deles. "Sou péssimo. Quando era criança, eu pescava quando estava em férias. Gosto da ideia de sentar em um lugar bonito e brincar com os peixes, mas nunca tive talento para pescar", confessa ainda ele.

Seria McGregor um ator metódico? "Não mesmo. Não há regras para atuar e é isso que eu adoro nesta profissão", ressalta. E após viver personagens tão diferentes em diversos filmes, ele teria levado essas experiências para sua vida pessoal? "Quando você finaliza as filmagens, quer ir para casa estar com a sua mulher e seus filhos. Você não vai para casa vestindo seu personagem, por que faria isso?", indaga. "Você não está mais filmando nem vestido a caráter, então pode ir para casa como você mesmo!", diz. "Eu digo o que é difícil: às vezes, você pode ter um dia ruim e, eventualmente, levar problemas para casa, como qualquer pessoa em qualquer trabalho. Mas em termos de personagens, não. Quando interpretei Renton em Trainspotting, não ia para casa tomar drogas após as filmagens. Quando interpretei um soldado, não ia para casa atirar nos vizinhos. Vou para casa como eu mesmo", conclui entre gargalhadas.

Além de seus filmes, Ewan ficou conhecido por sua paixão por motocicletas mostrada nas duas temporadas da série de TV Long Way Down. Ironicamente, o seriado se tornou mais famoso que os filmes que estrelou. "Quando as pessoas me reconhecem nas ruas, elas lembram instantaneamente da série", conta ele, acrescentando: "Durante as gravações, certa vez, na Tunísia (onde foi gravado o 'Guerra nas Estrelas' original), vesti uma camiseta com meu nome em letras garrafais e o nome do meu personagem. Você acredita que ninguém me reconheceu?", diz ele, intrigado. "Não tento ser reconhecido pelos lugares em que passo, mas foi engraçado, pois o filme foi gravado ali, e vários fãs passam por aquele local", comenta. "Talvez as pessoas me reconheçam mais pela série das motocicletas porque nela não sou o ator."

A série de aventuras na motocicleta foi um grande sucesso que até ganhou livros sobre o assunto. Ewan e seu melhor amigo viajaram mais de 30 mil quilômetros de Londres a Nova York passando pela Europa e Ásia em 2004 e na segunda aventura, em 2007, eles percorreram 8 mil quilômetros partindo da Escócia até Cape Town na África do Sul.

Será que ele gostaria de realizar uma terceira aventura passando pelo Brasil? "Seria legal percorrer a América do Sul inteira, de ponta a ponta, passando pelo Brasil. Chamaria Long Way Up", diz ele acrescentando que do Brasil só conhece Florianópolis. Durante a série, Ewan sofreu alguns acidentes, de picadas de mosquito no Casaquistão até petróleo espirrado no seu olho. O ator também é embaixador da Unicef há oito anos e acaba de realizar um documentário, exibido na BBC, sobre a dificuldade de vacinação em lugares como Índia, Nepal e Congo. "Estou interessado neste tipo de aventuras no momento", comenta.

Seu mais recente xodó é Sid: um simpático cachorro igual ao de seu último filme Toda Forma de Amor. Ewan adotou o mix de poodle após finalizar o filme com Christopher Plummer. "Senti que faltava um cachorro em minha vida", lembra. Como anda então o Sid? "Ele é fantástico! Anda do meu lado na motocicleta. Você sabe que cachorros gostam de botar a cabeça para fora da janela, não é? E na moto ele está com a cabeça para fora o tempo todo! E adora!", acrescenta.

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