Evento une periferias de São Paulo e Paris

As intelligentsias brasileira e francesa têm encontro marcado a partir de hoje com rappers dos dois países em São Paulo. Esse é um dos destaques da agenda do ciclo Linguagens da Violência, cuja abertura está marcada para hoje com palestras do secretário municipal de Cultura, Marco Aurélio Garcia, de Carlos Augusto Calil, diretor do Centro Cultural São Paulo, e de representantes do governo francês. Entre os eventos estão programados seminários, filmes, shows, debates, teatro e oficinas, todos com entrada franca e tendo como cenário as unidades Pompéia, Itaquera e Grande ABC do Sesc, além do Centro Cultural. "A idéia central é discutir a violência e as manifestações culturais dos jovens, promovendo o intercâmbio entre as periferias de Paris e São Paulo", explica Garcia. Para isso foram convidados dois grupos franceses de rap: o Accrorap e o Assassin. Eles estarão lado a lado com bandas paulistas e mentores intelectuais do movimento como o letrista e escritor Ferréz. Segundo o secretário, o rap brasileiro tem se difundido na periferia da capital francesa: "Os idiomas podem ser diferentes, mas a linguagem trilha o mesmo caminho e os problemas que a juventude enfrenta, mesmo em níveis diferentes, são da mesma natureza". Hip hop e literatura - Garcia diz que já passou da hora de o poder público se voltar para as manifestações culturais dos excluídos. "A periferia daqui tem muito a nos ensinar com a incrível produção do hip hop, da literatura e do rap, mesmo em meio à violência". Linguagens da Violência é o primeiro resultado da parceria fechada entre a Secretaria de Cultura e o governo francês. A secretaria quer ainda criar cursos de moda, gastronomia e restauro, além de fazer mostras de música, artes plásticas e cinema. O ciclo contará com a presença de diretores e intelectuais franceses e brasileiros. Entre os primeiros virão Henry Pierre Jeurd, da Escola de Altos Estudos Sociais de Paris, o escritor Jean-Pierre Currier e a cientista política Isabelle Sommier. O Brasil será representado pelos cineastas Laís Bodanzky (Bicho de 7 Cabeças), Sérgio Bianchi (Cronicamente Inviável) - que terão seus filmes exibidos -, o escritor Fernando Bonassi, além de membros da comunidade acadêmica como a antropóloga Alba Zaluar e os cientista políticos Paulo Sérgio Pinheiro e Sérgio Adorno. A realização do evento veio, segundo Garcia, da necessidade de debater a violência a partir da visão dos excluídos e sem meias-tintas. "A violência é o prato-feito que tem sido servido aos brasileiros cotidianamente. Nos filmes selecionados ela pode servir de pano-de-fundo e muitas vezes de personagem principal das histórias, mas sempre é retratada em sua perversidade. E nem poderia ser diferente: é a realidade que a periferia vive. É a realidade que estamos tentando transformar", conclui. Ciclo Linguagens da Violência, a partir de hoje nas unidades Pompéia, Itaquera e Grande ABC do Sesc, e no Centro Cultural São Paulo. Informações pelo telefone: (11) 253-2331.

Agencia Estado,

10 de setembro de 2001 | 14h33

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