Evento excede temas da cultura judaica

Cenas do novo e aguardado espetáculo do Teatro da Vertigem. Cibele Forjaz dirigindo os atores Dan Stulbach e Luciano Chirolli. Uma encenação inédita de Marco Antônio Rodrigues. Até o dia 29, a mostra Palcos, promovida pelo Centro de Cultura Judaica, reúne uma série de montagens de teatro e dança, performances e debates. Em todas as atividades, despontam temas centrais para o judaísmo nos dias de hoje: migração, identidade, conflitos entre modernidade e tradição.

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2012 | 03h09

"Mas não queremos fazer um festival de cultura judaica", ressalva o curador Aimar Labaki. "O que estamos trazendo é um festival de artes cênicas, do mais alto nível possível, com criações que também tratem desse aspecto, que ressaltem esse olhar."

É assim que a seleção apostou em obras que se relacionam diretamente com a questão judaica. Mas também naquelas em que esse dado só desponta lateralmente. O novo trabalho do Teatro da Vertigem encaixa-se aí. A peça conduzida pelo diretor Antônio Araujo centra-se no bairro do Bom Retiro e, por consequência, nos fluxos migratórios que fizeram sua história. Judeus, coreanos, bolivianos - uma mistura de povos em diálogo e em conflito. A mostra prevê a exibição de duas cenas do espetáculo, no dia 27, além de uma conversa com o encenador e os intérpretes do grupo sobre o processo criativo.

Em Crianças da Noite, espetáculo que abre a mostra, a ligação com a questão judaica não poderia ser mais explícita. A peça dirigida por Marco Antônio Rodrigues trata de uma figura histórica, o pedagogo Janusz Korczak, que manteve um orfanato em Varsóvia durante a guerra e morreu em um campo de concentração. Ainda assim, Aimar Labaki vê aí a possibilidade de ultrapassar o tema da perseguição nazista, já tão repisado, e abrir espaço para outro tipo de reflexão. "Como a questão ética se coloca em um contexto em que você não tem margem de manobra?", questiona o curador.

Dois intelectuais proeminentes na história do teatro paulista serão homenageadas pelo evento. No dia 17, a premiada diretora Cibele Forjaz realiza um "ato teatral" no qual reverencia o legado de Jacó Guinsburg e Anatol Rosenfeld. Caberá aos atores Dan Stulbach e Luciano Chirolli reviver no palco suas palavras e ensinamentos.

Nome de destaque da cena argentina, a diretora Vivi Tellas é uma das convidadas internacionais da mostra. Em Buenos Aires, Tellas tornou-se conhecida por praticar uma modalidade de teatro que ela batizou de "biodrama". Sua busca é pelo menor grau possível de ficção. Por isso, cria seus espetáculos a partir do contato com o real. Aqui, ela encena uma montagem criada especialmente para São Paulo. Em O Rabino e Seu Filho, examina as relações entre o rabino Rubens Sternschein e seu filho Uriel Sternschein, além de suas questões éticas e existenciais.

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