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Eva Braun não foi uma 'loira burra', diz nova biografia

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Por Redação
Atualização:

Por Christopher Lawton

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BERLIM (Reuters Life!) - Eva Braun, a companheira de Adolf Hitler, foi tratada por historiadores como figura sem importância maior no Terceiro Reich, mas o autor de uma nova biografia dela disse na sexta-feira que ela foi tudo menos uma "loira burra".

Heike Goertemaker disse que Braun, que conheceu o governante nazista em Munique em 1929, quando tinha 17 anos, e se casou com ele dois dias antes do suicídio de ambos, não foi a mulher meiga e obediente frequentemente descrita em documentários e livros.

O livro "Eva Braun: Life with Hitler", de Goertemaker, vem suscitando interesse renovado por Braun, que cometeu suicídio aos 33 anos de idade ao lado de Hitler, no bunker dele, em abril de 1945.

Emissoras alemãs vêm exibindo documentários que lançam um olhar novo sobre Braun, e um longa-metragem baseado no livro está sendo planejado.

"As pessoas sempre a viram apenas como uma mulher agradável que se apaixonou por um monstro, mas na realidade ela exerceu um papel importante no círculo estreito de Hitler", disse Goertemaker, 45 anos.

"Não posso afirmar que ela tenha influenciado decisões políticas, mas ela não era uma espectadora passiva", disse a escritora. "Eva Braun não foi uma loira burra."

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Goertemaker descreve como Braun trabalhou para Heinrich Hoffman, o fotógrafo de Hitler, e como ele a ensinou a fotografar. Foi nesse período que Braun conheceu o líder nazista, que tinha 40 anos na época.

Hoffmann aproveitou o relacionamento de Braun com Hitler para conseguir instantâneos do ditador em momentos particulares, porque Hitler a deixava fotografá-lo e até mesmo filmá-lo.

"Ela vendia as fotos que fazia a Heinrich Hoffmann", disse Goertemaker a um grupo de jornalistas estrangeiros em Berlim. "Ela criou seu próprio pequeno negócio no círculo mais íntimo de Hitler."

Goertemaker, que passou anos trabalhando sobre a primeira biografia acadêmica de Braun, foi indagada se encontrou qualquer evidência de que Hitler e Braun tiveram algum tipo de relacionamento sexual, porque dúvidas foram expressas a esse respeito em filmes e livros.

"Essa é sempre a grande dúvida", disse a autora da biografia. "Hitler não nos deixou evidências."

Hitler e Braun se casaram em abril de 1945, quando as forças soviéticas invadiram Berlim. Menos de dois dias depois, cometeram suicídio.

Goertemaker disse que Braun apoiou a decisão de Hitler de se suicidar, conforme fica claro por cartas que ela escreveu.

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Em uma carta final a sua irmã, Braun pediu a ela que guardasse todas as cartas e outras correspondências entre ela e Hitler, para que as pessoas soubessem sobre a relação deles.

"Ela queria que a relação continuasse viva na história", disse Goertemaker. O controle exercido pelos nazistas sobre a mídia significava que muitos alemães só tiveram conhecimento da existência de Eva Braun após a guerra.

Historiadora berlinense, Goertemaker disse que seu trabalho faz parte de um novo conjunto de pesquisas que mostram que as mulheres no Terceiro Reich não foram apenas vítimas, como se pensou durante muito tempo, mas também as perpetradoras.

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