Eumir Deodato recria Gershwin com trio

Músico e arranjador carioca faz uma rara aparição em São Paulo para tocar o repertório de seu álbum Deodato 2

LAURO LISBOA GARCIA, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2013 | 02h08

Prestes a completar 70 anos, em 22 de junho, o compositor, músico e arranjador carioca Eumir Deodato, radicado nos EUA desde o final da década de 1960, faz uma rara aparição em São Paulo para tocar o repertório de seu álbum Deodato 2, no Teatro Municipal, às 15 h de amanhã, na Virada Cultural.

Como em anos anteriores do evento, está previsto que cada artista que se apresente naquele palco recrie na íntegra um álbum importante de sua carreira. Com apenas cinco longos temas, Deodato 2 tem duas composições próprias (Skyscrapers e Super Strut) e rearranjos para peças de George Gershwin (Rhapsody in Blue), Maurice Ravel (Pavane for a Dead Princess) e Justin Hayward (Nights in White Satin).

Deodato diz que, no seu caso, vai fazer algumas adaptações. "Infelizmente, algumas coisas não têm ritmo. Nights in White Satin precisa de orquestra, a do Ravel só tem piano solo na gravação. Então, resolvi aumentar o repertório do concerto com Summertime, que também é do Gershwin, e mais alguma coisa."

Como afirma que os músicos brasileiros são melhores que os americanos, Deodato não vai trazer nenhum com ele. "Mas tem de escolher os caras certos, não é qualquer um." Os músicos que vão acompanhá-lo são o baixista Marcelo Mariano, que vem de Manaus e atualmente toca na banda de Djavan, e o baterista Renato Massa, com quem o pianista já excursionou.

Além dessa apresentação, Deodato esteve recentemente no Rio ensaiando com uma banda os arranjos que criou para clássicos de Tom Jobim, que serão interpretados pela cantora Vanessa da Mata no dia 26 no Parque da Juventude, dentro do projeto Nívea Viva. "Muitas dessas canções estão com boas ideias dela mesma. A minha parte foi principalmente organizar o conjunto. Fiz arranjos de cordas para 16 músicas. Era muita coisa e, para isso, contei com a ajuda dos músicos", diz Deodato. "Trabalhei muitos anos com Tom e ele tinha pavor de gente trocando harmonias, se sentia ofendido. Se você for fazer arranjo para músicas do Tom e puder fazer melhor, faça. Senão, não faça nada que fique pior."

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