EUA querem saber padrão de TV digital do Brasil

O diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro, se reuniu, pelaprimeira vez, com Michael Powell, diretor da Federal Communications Commission - a agência reguladora dos Estados Unidos. Apesar da recusa dos participantes em comentar o tema do encontro, ocorrido hoje, em Genebra, ninguém esconde que ogrande interesse dos Estados Unidos é pela escolha que o Brasil fará sobre a tecnologia que será usada no País para a transmissão de televisão pelo padrão digital.Segundo Guerreiro, a Anatel fará a escolha do sistema de TV digital no primeiro semestre de 2002 e as opção estão entre o padrão norte-americano, o japonês e o europeu. "Estamos analisando as nossas opções, o que envolve umaavaliação da capacidade de produção industrial no Brasil, a geração de empregos que o padrão possibilitaria e até que ponto o modelo permitiria que outros serviços de telecomunicaçõesfossem desenvolvidos utilizando a mesma plataforma", afirma Guerreiro.O diretor da Anatel e o Michael Powell, filho doSecretário de Estado norte-americano, Colin Powell, aproveitaram um seminário promovido pela União Internacional de Telecomunicações para iniciar um diálogo entre as duas agênciasreguladoras. O interesse dos Estados Unidos pelo mercado brasileiro tem um motivo: a mudança no padrão tecnológico irá movimentar, segundo Guerreiro, cerca de R$ 100 bilhões.Os rumores, porém, são de que, em testes preliminares, o modelo japonês levou vantagem sobre os demais padrões. Caso se confirme a escolha, seria a segunda vez que a Anatel deixariauma proposta dos Estados Unidos de lado. Há cerca de um ano e meio, a escolha da frequência da banda C foi feita em favor dos europeus, deixando os Estados Unidos fora de um mercado de US$10 bilhões.Antes da escolha sobre o padrão da televisão digital, porém, a Anatel realizará duas consultas públicas, ambas nos primeiros três meses do ano que vêm. A primeira será sobre as oportunidades de negócio que cada uma das plataformasproporcionará. A segunda será sobre o modelo de transição, já que a mudança da tecnologia analógica para a digital irá exigirinvestimentos de até R$ 60 bilhões.Guerreiro não descarta negociar a abertura de uma linha de crédito com o BNDES para possibilitar o financiamento da transição, que poderia levar até 12 anos. Além disso, o Brasil está realizando reuniões com os demais países do Mercosul para garantir um sistema único no bloco. A Argentina já fez sua escolha em 1998 e optou pelopadrão norte-americano de TV digital. Guerreiro, porém, alerta que os argentinos já indicaram que, se necessário, poderão rever sua decisão para harmonizar o padrão tecnológico no Mercosul.Liberalização - Mas a escolha do padrão de TV digital não é o único ponto que deixa os negociadores de Washington preocupados. Os norte-americanos aproveitam toda a oportunidade que podem para se queixar de que, na legislação brasileira, o presidente da República tem o poder de vetar um determinado investimento, o que afetaria as empresas dos Estados Unidosinstaladas no País. Washington tem levado o assunto à Organização Mundial do Comércio (OMC), mas Guerreiro garante que um decreto presidencial não teria nenhum impacto sobre investimentos já realizados.

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