''Eu vou surtar, vou derreter, grita fã''

Veio muita gente do Rio Grande do Sul, do interior de Santa Catarina, do Paraná e turistas em férias de várias partes do Brasil e até da Argentina. A maioria nem sequer sabia quem eram Janelle Monáe e Mayer Hawthorne. "Eu vou surtar. Eu vou derreter", gritava a estudante de teatro Rebecca Wenk, de 17 anos, que veio de Porto Alegre. Uma das que Amy Winehouse teve a seus pés, foi ela quem pegou o disco de vinil vermelho em forma de coração, com Just Ain"t Gonna Work Out, que Hawthorne jogou para o público no fim de seu show. "Não tenho toca-discos, vou guardar esse aqui como relíquia", disse Rebecca. "Vim para ver Amy, mas quando soube que teriam os outros dois, fui pesquisar sobre eles e gostei muito."

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2011 | 00h00

Além de uma maioria de adolescentes, entre eles vários gays notáveis, chamava a atenção o grande número de adultos maduros, muitos já de cabelos brancos, entre o público do festival. A pedagoga gaúcha Cristina Perrone Castilho (na foto abaixo), de 48 anos, era uma das mais empolgadas. Conseguiu comprar o ingresso para a pista VIP por R$ 150 (abaixo do valor real) na porta, sem atropelos. Acabou se caracterizando como Amy ali mesmo na plateia e posando para fotos com a amiga virtual ("conheci no Facebook") Cacau Casagrande, de 26 anos, e Jairo Restrepo, de 45, em animadíssima sequência de poses caricaturais.

Preparando-se para ser estilista, Restrepo foi quem vendeu o ingresso para Cristina, depois que seu acompanhante desistiu de vir. Colombiano naturalizado belga, Restrepo vive entre a Bélgica e Florianópolis. Rodou a Europa em vão para ver Amy anos atrás. Só conseguiu agora. "Para mim ela é completa, autêntica, natural. Gosto de seu suingue. Só acho que o público ainda precisa entender que ela faz arte."

MAIS UMAS DOSES

Engarrafamento

Sem trocadilho com a vocação bagaceira de Amy Winehouse, que tem álcool até no sobrenome, um dos problemas que seu público enfrentou foi o quilométrico engarrafamento. Com a proporção de 1 carro para cada 1,6 habitante da ilha, mais os turistas motorizados, foi uma tortura sair do Stage Music Park.

No gargalo

Como a cantora-adega também troca a água pelo vinho, o inspirador preço das bebidas no Summer Soul Festival foi unificado. R$ 5 para cerveja, água e refrigerantes. Salgado mesmo era o valor do sanduíche no único quiosque que vendia alimento: R$ 20.

A seco

Se Amy passou mesmo (ou não) o show todo a seco (no setor alcoólico), pelo menos a meteorologia foi generosa. O céu de chumbo que começou a apavorar o público pouco antes da abertura dos portões era só jogo de cena da natureza. A chuva caiu bem longe e a noite da cantora-alambique foi lindamente estrelada. Os vendedores de capas de chuva, que brotam como gremlins a cada garoa, tiveram prejuízo.

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