''Eu sonhava me vingar, matando Hitler e todos os nazistas''

Cannes, 2009. Quentin Tarantino apresenta seu longa Bastardos Inglórios, que vira a sensação da Croisette. O júri presidido pela atriz Isabelle Huppert vai atribuir a Palma de Ouro a A Fita Branca, de Michael Haneke, mas naquele momento muita gente joga suas fichas em Tarantino e na possibilidade de que ele bise a Palma que recebeu por Tempo de Violência (Pulp Fiction). Há uma corrida por entrevistas. Tarantino está conversando com todo mundo. O astro Brad Pitt regula suas entrevistas. Sobram Christoph Waltz, que vai ganhar o Oscar de coadjuvante (mas quem ia saber disso em maio do ano passado?) e Mélanie Laurent.

, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2010 | 00h00

Ela fala de Shoshana, sua personagem em Bastados Inglórios, e sobre como a garota judia fugitiva vira essa cinéfila que se vale das armas do próprio cinema - o celuloide, tão facilmente combustível - para acertar contas com o próprio e sinistro tio Adolf (Hitler). Mas Mélanie é, ela própria cinéfila, e tanto quanto Tarantino admira Radu Mihaileanu, com quem fez O Concerto. São dois papéis no filme que estreia hoje.

Há uma curiosa convergência entre essas personagens. São órfãs que usam a arte para acertar contas com a história. Você tinha consciência disso?

Por certo que sim e, mesmo se não tivesse, eles me teriam feito saber. Gosto dessas personagens fortes, confrontadas com revelações. Devo acrescentar que sou de ascendência judaica, mas descobri isso tardiamente, não tão tardiamente quanto a Anne Marie de O Concerto. Ao saber disso, sonhava me vingar, matando Hitler e todos os nazistas do mundo. O cinema terminou me permitindo realizar essa fantasia. São papéis que eu queria fazer. Esperei por eles. Outros diretores me ofereceram papéis étnicos, mas não eram o que esperava.

Anne Marie tem a obsessão por atingir a perfeição na sua arte. Como atriz você também é assim?

Acho que todo artista sonha com isso, mesmo sabendo que a perfeição é algo impossível, não apenas difícil. Treinei muito, durante dois meses, para tocar o concerto de Tchaikovsky. Na verdade, estudei muito e toquei só na última hora. E, embora a minha seja a mão que segura o arco - a outra é de uma dublê -, foi uma experiência fascinante.

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