'Eu cuido da felicidade das pessoas', diz Ross Taxidermista que cuida de bichos de estimação mostra o seu cotidiano

À primeira vista, o cotidiano de Daniel Ross, de 36 anos, parece mórbido. Mas as situações inusitadas tornam o dia a dia do empalhador norte-americano tão cômicas que ele virou estrela do reality Taxidermistas, que estreia domingo, às 22 h, no canal pago Animal Planet.

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2013 | 02h15

Morador de uma comunidade com menos de 2 mil habitantes no Estado do Arkansas, no interior dos EUA, ele recebe visitas e pedidos de diferentes pontos daquele país para empalhar animais de estimação tratados como parte da família pelos clientes que o procuram.

"Sempre houve animais na minha casa por causa da pesca e caça. Quando eu saí da escola, eu pintava carros e gostava de usar minha criatividade nisso e consertar coisa quebradas", explica ele, que congela e resseca todos os bichos que recebe antes de imortalizá-los.

Ross recomenda aos clientes que congelem os animais antes de levar até ele. Surpreendentemente, ele aceita encomendas pelos correios e divulga a informação na página da Xtreme Taxidermy, nome de seu negócio. "Tem gente a milhares de quilômetros de distância. Eles mandam a foto com a posição que querem e tentamos recriar. Eu incentivo os clientes a não dizerem o que eles estão mandando", revela o taxidermista.

Ross garante nunca ter tido pesadelo por viver rodeado de bichos mortos e com os olhos abertos. "De jeito nenhum. Como vou ter pesadelo se eu lido com a felicidade das pessoas?", disse ao Estado, por telefone. O taxidermista descobriu ter jeito para o negócio ao conhecer um homem cujo cachorro acabara de morrer. "Ele não queria enterrar. Fiz uma pesquisa e pensei que a melhor opção era congelar e secar. Fui a uma escola em Michigan. Aprendi algumas técnicas, levei o cachorro e pedi ajuda. E ele ficou extremamente feliz. Depois eu vi que havia mercado para isso."

Daniel Ross conta que a missão mais difícil foi com um cachorro. "Era muito grande, tinha uns 45 kg. Bichos pequenos, como chihuahuas ou chinchilas, coelhos pequenos são difíceis", entrega ele, que trata de diferentes espécies. "Recebemos bichos que você nem imagina, como macacos-aranha, iguanas, cobras. Por causa do programa, muitas pessoas vão descobrir isso", aposta.

Ele jura não ter aumentado os preços após a exibição na TV nos EUA. "Não faço isso por dinheiro. Tem gente que pode fazer muito dinheiro, mas eu estou nisso para ajudar as pessoas", defende Ross, que cobra de US$ 75 para pássaros até US$ 1.200 para um veado.

Segundo ele, já houve tentativas de clientes com pedidos para empalhar pessoas. "Sempre ouço comentários e piadas de alguns dizendo que queriam fazer com a avó ou com a mulher. Já recebi uma ligação perguntando se eu poderia fazer com uma mão humana. E ligaram de um telefone bloqueado. É um pouco assustador."

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