"Etnic" é a nova atração da madrugada na Rede TV!

A Rede TV! deverá lançar mais um quadrono programa "Noite Afora", apresentado por Monique Evans. Dentro do quadro "Objetos de Desejo", será criado um espaço semanal chamado "Etnic", direcionado ao público negro das classes A, B e C. O quadro contará com a assessoria de José Luís de Paula Jr., professor de História da Arte e Artes Gráficas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e também designer de perfumes. "Estaremos mostrando que o negro também é consumidor e que o mercado publicitário está desprezando um grupo que detém R$ 54 bilhões só em cadernetas de poupança", ressalta José Luizdestacando que o quadro não será assistencialista. "Queremos algo que pense no negro como consumidor, mas que também tenha um fundo social". Apesar do quadro ser comandado pela loiríssima Luisa Mell, José Luiz explica que a intenção é mostrar que não há motivos para excluir representantes de outras raças do programa. "Não éinteressante colocar uma apresentadora negra pra falar de negros. Assim, deixamos o negro como convidado e não como anfitrião. Além do mais, queremos atingir todas as pessoas independente de suas raças, mas, diferente do que acontece nosdemais programas, daremos o mesmo destaque ao negro", reflete o consultor. Durante os meses de janeiro e fevereiro, "Etnic" fará parte do programa de Monique Evans, mas a partir de março, deverá ganhar vida própria. "Nos dois primeiros meses, teremos apenas sete minutos, mas depois vamos contar com meia hora de programa", avisa José Luiz. "Queremos mudar o hábito de consumo no Brasil e mostrar que o negro quer que as grandes marcas trabalhem também para ele, já que todo mundo deposita credibilidade nosprodutos conhecidos."Afro-descendentes - Além de alertar o mercado publicitário e investidor para um público que até hoje não recebeu muita atenção, José Luiz destaca que a idéia de produzir "Etnic" (nome que há um ano também batiza a revista da qual é um doseditores) também está relacionada com a oportunidade de iniciar uma mudança na forma de tratamento desse público. "Até mesmo os afro-descendentes têm dificuldade em classificar sua própria raça. No IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), por exemplo, existe a opção de branco, negro oupardo. E pardo é cor de papel, não de gente", brinca José Luiz. "Estou até elaborando um material para enviar à direção geral do IBGE sugerindo que a classificação racial seja mudada para afro-descentes. Só para se ter uma idéia, temos no Brasil 78 milhões de afro-descendentes só de primeira geração", salienta.

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