Eterno sucesso de o gênio do crime

SÃO FRANCISCO XAVIER

, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2010 | 00h00

Quando adolescente, o escritor João Carlos Marinho era um descrente, pois estava certo de que não seria possível completar um álbum de figurinhas. "Sempre acreditei que ao menos uma jamais seria impressa, para impedir tal realização", disse ele, em São Francisco Xavier, durante o Festival da Mantiqueira, depois de ter passado três horas, no sábado, conversando com jovens e adultos. Uma pequena multidão unida pelo prazer da leitura do mesmo livro, O Gênio do Crime, que, desde seu lançamento em 1969, já soma 65 edições.

O segredo está na história de um grupo de garotos, no qual se destacam Edmundo e Bolacha, que coleciona figurinhas e percebe que algumas são falsas. "Há uma gangue que falsifica as mais disputadas", lembra Marinho, incansável ao repetir a história que criou quando trabalhava como advogado.

Marinho ficou surpreso com o nível da curiosidade da garotada que encontrou no sábado ? a maioria afiada nas perguntas e revelando uma leitura cuidada do livro. "Muitos já leram até dez vezes a história", comenta o escritor que calcula atingir até três gerações de leitores em 2017. "De todos as minhas 12 obras, O Gênio do Crime corresponde a 50% das vendas totais." Isso significa mais de um milhão de exemplares vendidos em seus mais de 40 anos de publicação.

Mesmo com o passar do tempo, com a evolução da tecnologia (que oferece outras atrações tentadoras de lazer como videogame) e também com a desfiguração da ingenuidade da criança e adolescente, Marinho percebe que as reações de hoje são idênticas às de há vários anos. "Os questionamentos são praticamente os mesmo, comprovando que a obra tem qualidades consolidadas. Também há uma compreensão de que não se trata de uma história de futebol tampouco que é exclusiva para meninos."

De fato, o livro já foi apontado como referência na literatura juvenil brasileira por craques como Ruth Rocha e Ana Maria Machado. Desde O Gênio do Crime, Marinho desenvolveu outras histórias envolvendo a turma de Edmundo e Bolacha, alguns até com temas polêmicos ? como O Gordo Contra os Pedófilos. "Mas não escrevi essa trama por oportunismo, pois me inspirei em uma história que vi em um programa jornalístico suíço."

Inspiração. Desde 2005, quando saiu Assassinato na Literatura Infantil, João Carlos Marinho não publica nenhuma nova história. "Como um jogador de futebol que não consegue mais ter a mesma velocidade depois de uma certa idade, percebi que perdi o pique da inspiração", revela ele, que completa 75 anos em setembro. "Perdi as forças e não quero me ver repetindo fórmulas."

Seu novo projeto é fazer a adaptação de O Gênio do Crime para cinema e uma minissérie para a TV. As negociações com a Globo ainda estão em fase inicial. / U.B.

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